Análise: Haddad tenta nacionalizar debate e Tarcísio defende própria gestão
Governador e ex-ministro disputam paternidade de obras sem ultrapassar limite da cordialidade e do respeito
O debate entre o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), na noite desta terça-feira (29) na Rede Globo, refletiu a estratégia de ambos ao longo de uma campanha com perfil plebiscitário.
Sem mais concorrentes, o petista foi para ofensiva e reivindicou a paternidade de obras no estado para o governo federal comandado pelo presidente Lula (PT).
Tarcísio respondeu no mesmo tom e rebateu o ex-ministro com dados, estatísticas e, em alguns momentos, usando linguagem técnica.
A artilharia dos dois lados e troca de farpas, porém, não ultrapassou o limite da cordialidade e do respeito.
O governador recorreu à Lava Jato para rebater as críticas de Haddad sobre as gestões bolsonaristas.
O ex-ministro de Lula tentou colar o desgaste da gestão de Jair Bolsonaro (PL) na pandemia em Tarcísio e usou Lula como referência, enquanto Tarcísio evitou mencionar o senador e aliado Flávio Bolsonaro, candidato do PL ao Planalto. Só nas considerações finais Tarcísio mencionou que seu candidato "é Flávio Bolsonaro”.
Segurança pública em debate
Haddad bateu na tecla do “PAC do Lula”, disse que o governador Tarcísio “não reconhece o protagonismo” do governo federal e reivindicou a Operação Carbono Oculto, deflagrada inicialmente pela Receita Federal e pelo Ministério Público de São Paulo contra as infiltrações do Primeiro Comando da Capital (PCC) no estado.
Tarcísio de Freitas (Republicanos) rebateu na mesma moeda e chamou o petista de “Pinóquio”.
Tarcísio mencionou o vereador do PT Senival Moura, que foi preso em junho de 2026 durante uma operação da Polícia Civil e do Ministério Público de São Paulo.
Já Fernando Haddad (PT) usou a prisão do ex-vereador Milton Leite (União) para fustigar o adversário e acusá-lo de manter os espaços dele na gestão. “Você estava pedindo votos para os filhos do Milton Leite. A família controla vários setores”, disse Haddad
“A relação é institucional com o Milton. Não tem nada no governo”, respondeu o governador.



