Pedro Venceslau
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Pedro Venceslau

Pós-graduado em política e relações internacionais, foi colunista de política do jornal Brasil Econômico, repórter de política do Estadão e comentarista da Rádio Eldorado

Segundo voto pode derrubar favoritos ao Senado? Entenda

As pesquisas de intenção de voto para o Senado são as que encontram mais dificuldade para identificar as tendências eleitorais.

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O histórico das disputas para a Casa Alta mostra que muitos favoritos ficaram de fora, enquanto “azarões” surpreenderam.

Neste ano, estão em jogo duas vagas por estado, e cada eleitor escolhe dois candidatos. Muitos definem o primeiro nome com antecedência, mas deixam o segundo para a última hora, e é aí que as pesquisas perdem precisão.

À CNN, o CEO da Nexus, Marcelo Tokarski, e o diretor de inteligência da Quaest, Guilherme Russo, disseram que esse fenômeno se explica pela indecisão até a última hora e o desinteresse do eleitor pelo cargo.

“A pesquisa mais difícil de fazer é a do Senado, porque o cenário muda muito na reta final”, afirmou Tokarski.

Ainda segundo o CEO da Nexus, nas eleições com duas vagas em disputa o 2° voto é sempre uma incógnita e pode mudar a conjuntura.

Guilherme Russo completa dizendo que a indecisão do eleitor para o Senado é equivalente a de deputado federal.

“Os candidatos ideológicos em geral têm o 1° voto, mas não o 2°. Esse foi o caso, por exemplo, dos petistas Dilma Rousseff em Minas Gerais e Eduardo Suplicy em São Paulo em 2018”, cita o diretor da Quaest.

“A direita tem mais indecisos para o Senado, mas muitas vezes é beneficiada na reta final por esse segundo voto útil”, disse Russo.
Segundo turno - Russo e Tokarski convergem na avaliação de que a eleição presidencial dificilmente terminará no 1° turno.

“A chance da disputa presidencial acabar no domingo é muito baixa. Lula precisaria crescer 5%, mas a vantagem dele pode diminuir devido a abstenção”, disse o CEO da Nexus.

Tokarski lembra que historicamente o eleitor que desiste de votar é majoritariamente o de mais baixa renda e escolaridade, que formam a base principal dos incumbentes desde Fernando Henrique Cardoso.

Ele observa que a abstenção vem crescendo.

Foi de 19% para 20% entre 2014 e 2018 e depois cresceu para 21% em 2022

“O eleitor de alta renda vota mais, e isso favorece o Flávio Bolsonaro ”, concorda Russo.