Análise: Após impasse, governo federal tenta capitalizar solução no Moinho
Casa Civil da Presidência da República sinalizou bandeira branca com Tarcísio de Feitas, mas faz gestos aos movimentos sociais ao montar comitiva que vem a SP

Um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) decolou de Brasília para São Paulo na manhã desta quinta-feira (15) com uma comitiva escolhida a dedo pela Casa Civil do Palácio do Planalto para capitalizar a solução conjunta com o governo do estado no caso da Favela do Moinho.
Após liberar e depois suspender a cessão da área da Favela do Moinho, no centro de São Paulo, para o governo paulista construir um parque no local, o Palácio do Planalto sinalizou com uma bandeira branca, mas quer sair na foto.
As notícias sobre manifestações de moradores contrários à remoção das famílias e a demolição de suas casas abriram duas abordagens sobre o caso no governo federal.
De um lado, o Ministério de Gestão e Inovação (Esther Dweck), por meio da Secretaria de Patrimônio da União, entrou em rota de colisão com o governo paulista ao apoiar a demanda dos manifestantes e interditar o processo.
Do outro, o ministro das Cidades, Jader Filho, abriu um canal direto de diálogo com o secretário de Desenvolvimento Urbano e Habitação de São Paulo, Marcelo Branco, e se ofereceu para ampliar a oferta de unidades habitacionais para as famílias que deixarem o Moinho.
Quando a situação entrou no modo impasse e novas manifestações foram registradas pela TV, a Casa Civil e a Secom (Secretaria de Comunicação) entraram em cena.
A comitiva conta com representantes dos ministérios da Cidades, Direitos Humanos, Gestão, Secretaria-Geral da Presidência, e, claro, Secom.
A linha de frente, porém, ficou com Jader Filho, e não com Esther Dweck, que sequer veio a São Paulo (mandou um representante).
Isso sinaliza uma bandeira branca, mas também revela uma estratégia. Não há como voltar atrás no Moinho. A remoção das casas é um fato consumado e o tráfico ainda opera lá, segundo o governo paulista.
A presença no grupo da Secretaria-Geral da Presidência, que cuida da relação com os movimentos sociais, e do Ministério de Direitos Humanos ameniza eventuais críticas à esquerda.



