Pedro Venceslau
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Pedro Venceslau

Pós-graduado em política e relações internacionais, foi colunista de política do jornal Brasil Econômico, repórter de política do Estadão e comentarista da Rádio Eldorado

Análise: Denúncia da PGR contra Bolsonaro é divisor de águas para governo e oposição

Aliados de Bolsonaro apostam em “comoção” popular na direita, mas preveem prisão; esquerda vislumbra direita acuada

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A denúncia da Procuradoria Geral da República (PGR) contra Jair Bolsonaro (PL) deve ser um divisor de águas na disputa de narrativas entre governo e oposição.

Lideranças dos dois lados convergem na avaliação de que o tema vai dominar a opinião pública e apostam que o julgamento acontecerá ainda esse ano, entre setembro e outubro.

Dito isso, os bolsonaristas estão reunindo munição e desenhando uma estratégia similar a dos petistas quando Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi alvo da Lava Jato.

As manifestações de rua e palavras de ordem nas redes sociais vão bater nas teclas da perseguição política, abuso de poder e militância do judiciário.

Assim como o PT fez com Lula, o PL vai usar uma candidatura presidencial pouco factível como suporte para esse discurso e ponto de referência para manter a base antipetista mobilizada.

Já o lado governista projeta na denúncia da PGR a peça de resistência de uma guinada política que pode deixar os adversários acuados diante da exposição diária da trama golpista.

Enquanto caçam boas notícias na Esplanada dos Ministérios e na economia para ventilar nas bases, os petistas vão buscar resgatar a polarização de 2022 e assim tentar reconstruir o sentimento de frente ampla contra o bolsonarismo.

O que diz Bolsonaro

Em nota, a defesa de Jair Bolsonaro afirma que o ex-presidente "jamais compactuou com qualquer movimento que visasse a desconstrução do Estado Democrático de Direito" e que a denúncia apresentada pela PGR é "inepta" e "baseada em uma única delação". Leia a íntegra:

"A defesa do Presidente Jair Bolsonaro recebe com estarrecimento e indignação a denúncia da Procuradoria-Geral da República, divulgada hoje pela mídia, por uma suposta participação num alegado golpe de Estado. O Presidente jamais compactuou com qualquer movimento que visasse a desconstrução do Estado Democrático de Direito ou as instituições que o pavimentam. A despeito dos quase dois anos de investigações — período em que foi alvo de exaustivas diligências investigatórias, amplamente suportadas por medidas cautelares de cunho invasivo, contemplando, inclusive, a custódia preventiva de apoiadores próximos —, nenhum elemento que conectasse minimamente o Presidente à narrativa construída na denúncia, foi encontrado. Não há qualquer mensagem do Presidente da República que embase a acusação, apesar de uma verdadeira devassa que foi feita em seus telefones pessoais. A inepta denúncia chega ao cúmulo de lhe atribuir participação em planos contraditórios entre si e baseada numa única delação premiada, diversas vezes alteradas, por um delator que questiona a sua própria voluntariedade. Não por acaso ele mudou sua versão por inúmeras vezes para construir uma narrativa fantasiosa. O Presidente Jair Bolsonaro confia na Justiça e, portanto, acredita que essa denúncia não prevalecerá por sua precariedade, incoerência e ausência de fatos verídicos que a sustentem perante o Judiciário".