Pedro Venceslau
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Pedro Venceslau

Pós-graduado em política e relações internacionais, foi colunista de política do jornal Brasil Econômico, repórter de política do Estadão e comentarista da Rádio Eldorado

Análise: Expectativa é de normalidade com Motta e negociação com Alcolumbre

Avaliação no Palácio do Planalto é que eleição do deputado do Republicanos na Câmara vai trazer a Casa de volta aos trilhos, mas expectativa é de dificuldades no Senado

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As prováveis eleições de Hugo Motta (Republicanos-PB) na Câmara e Davi Alcolumbre (União-AP) no Senado inauguram uma nova dinâmica na relação do Congresso com o Palácio do Planalto, que apoiou o nome de ambos.

Para deixar bem claro esse apoio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) determinou a todos os ministros com mandato que peçam licença por um dia para registrar o voto.

O Palácio do Planalto acredita que a relação com Hugo Motta será melhor do que foi com Arthur Lira (PP-AL).

Fontes do governo, ouvidas pela CNN, demonstraram alívio com a mudança de comando na Câmara e lembraram que Lira sequer falava com Alexandre Padilha, ministro de Relações Institucionais do governo.

Os governistas falam em "voltar à normalidade" da relação institucional depois de dois anos de tensão permanente com a Casa na gestão Lira.

O provável futuro presidente da Câmara tem uma boa relação com o articulador político de Lula e um perfil mais discreto e conciliador.

Além disso, a leitura do governo é que Motta não detém a hegemonia do centrão como Lira.

Já no Senado, o clima é diferente.

A expectativa do governo é que Davi Alcolumbre tenha uma relação mais pragmática com os bolsonaristas do que Rodrigo Pacheco, que era visto como uma barreira de contenção à oposição.

Também se espera, no entorno de Lula, um esforço permanente de negociação nos bastidores.

O primeiro alerta foi a sinalização dada por Alcolumbre de que a apreciação dos vetos presidenciais pode ser pautada para as próximas semanas.