Análise: PEC da Blindagem abre janela de oportunidade para a esquerda
Manifestação ocorre no momento de fadiga de material do discurso sobre soberania
A PEC da Blindagem abriu uma janela de oportunidade para a esquerda no momento em que o discurso do governo em defesa da soberania mostra sinais de fadiga de material.
O projeto que impede investigações contra parlamentares sem autorização do Congresso gerou uma onda de indignação na sociedade civil e mobilizou até artistas e celebridades.
Um levantamento do instituto de pesquisa Quaest divulgado no sábado (20) registrou 83% de menções negativas em relação à PEC nas redes sociais.
Alguns dias antes, pesquisa Genial/Quaest registrou que a popularidade de Lula parou de crescer e estagnou.
As manifestações convocadas para este domingo (21) misturaram os motes contra a anistia aos envolvidos no 8 de Janeiro e a PEC da Blindagem.
A esquerda tenta assim assumir a dianteira enquanto a direita está concentrada em desconstruir o “PL da Dosimetria” e evitar que a anistia perca tração.
Quando uma ala do PT defendeu o apoio à PEC da Blindagem na Câmara como um gesto para o centrão e o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) alertou o presidente do PT, Edinho Silva, e o líder da legenda, Lindbergh Farias (RJ) que isso seria um erro.
A fatura política, avaliou o presidente, seria cobrada nas eleições — e custaria caro.
O recado foi repassado aos parlamentares, mas mesmo assim 12 deputados apoiaram a proposta de permitir ao Congresso interditar investigações contra deputados e senadores.



