Cannabis medicinal entra no radar do governo e provoca reação da direita
Ministro do Desenvolvimento Agrário participa da ExpoCannabis em SP e espera regulamentação em março

A regulamentação do plantio de cânhamo industrial para fins medicinais e farmacêuticos entrou no radar do governo federal e do Congresso, mobilizou o mercado e causou reação da direita.
Depois de vários adiamentos, Anvisa e Ministério da Agricultura devem apresentar até março de 2026 as diretrizes que vão estabelecer regras e limites para o cultivo de cannabis em território nacional.
Em paralelo, um projeto que libera o cultivo, por empresas, para fins medicinais, está pronto para ser votado no plenário da Câmara dos Deputados.
Empenhado no tema, o ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, vai representar o governo federal na ExpoCannbis —o maior evento do setor na América Latina que começa nesta sexta-feira (14), em São Paulo.
“Defendo o uso medicinal da cannabis e a plantação de maneira rastreada e segura”, disse Teixeira à CNN Brasil.
A direita bolsonarista acompanha as movimentações do setor atentamente.
“Eu sou contra e acredito que esse projeto não avança no Congresso”, disse o deputado Ricardo Salles (Novo-SP) à CNN Brasil.
A leitura de uma ala da oposição é que a liberação do plantio para fins medicinais pode ser a porta de entrada para o “lobby da cannabis” liberar a produção para uso recreativo.
Mercado
Maior evento do mercado na América Latina, a ExpoCannabis começa nesta sexta-feira (14), com a expectativa de receber 45 mil visitantes ao longo de três dias e reunir 250 expositores de 280 marcas — um crescimento de quase 7% em relação a 2024.
A feira congrega diferentes elos da cadeia produtiva da cannabis: saúde e medicamentos, cosméticos, cânhamo industrial, veterinária, agro e insumos, nutrição e bem-estar, tecnologia e equipamentos, jurídico e compliance, além de pesquisa e educação.
De olho no cronograma do governo e do Congresso, a ExpoCannabis colocou o setor do agronegócio em destaque.
A feira ampliou o espaço dedicado à genética, insumos, nutrição, equipamentos de cultivo, rastreabilidade e terá pela primeira vez a participação da Embrapa.
Levantamento feito pelo setor mostra que o cânhamo industrial, variedade sem canabinoides psicoativos, poderia movimentar R$ 4,9 bilhões por ano.
Em escala global, esse mercado deve atingir US$ 100 bilhões até 2026, de acordo com estimativas da agência inglesa Prohibition Partners.
A Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia participa pela primeira vez da ExpoCannabis Brasil em um estande conjunto com o Inta (Instituto Nacional de Tecnología Agropecuaria), onde apresentará o HempTech Brasil, projeto desenvolvido em parceria com a Assessoria de Estratégia da Embrapa, a Embrapa Clima Temperado, o Instituto Ficus e a The Green Hub.



