Pedro Venceslau
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Pedro Venceslau

Pós-graduado em política e relações internacionais, foi colunista de política do jornal Brasil Econômico, repórter de política do Estadão e comentarista da Rádio Eldorado

Com apreensão na direita, Lula já esboça programa com escala 6x1 para 2026

Além da proposta de redução da jornada de trabalho, isenção de Imposto de Renda, soberania e tarifa zero formam o combo eleitoral do petista

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Enquanto os partidos de oposição aguardam um posicionamento de Jair Bolsonaro (PL) para estruturar seus palanques a um ano da eleição presidencial de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já esboça sua plataforma eleitoral.

O petista, que já acionou o modo eleitoral, vai entrar em campo com um combo de legados, bandeiras e propostas.

A defesa da “soberania” será enfática, dizem petistas, mas não será a peça de resistência do discurso da situação.

Há no PT e no governo quem diga que a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000 será o “Plano Real do Lula 3”.

Em 1993, Lula era o franco favorito para vencer a eleição presidencial do ano seguinte após o impeachment de Fernando Collor, mas foi atropelado pelo plano econômico de Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

“A isenção do IR reconecta Lula com parte da classe média que se afastou do PT”, disse à CNN o publicitário do PT, Otávio Antunes.

Enquanto a isenção do IR entrará no capítulo dos “legados”, o fim da escala 6x1 e a tarifa zero nos ônibus serão as grandes apostas do programa.

Responsável pela articulação política do governo, a ministra Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) vai colocar a pauta da escala 6x1 em campo no começo do ano que vem, mas é pouco provável que o tema avance antes do pleito.

Já a tarifa zero é vista como o coringa do plano de governo.

“Essa será uma pauta prioritária na comunicação da campanha e estará no plano de governo de Lula”, disse à CNN o deputado Jilmar Tatto (SP), vice-presidente do PT.

Já na direita o clima neste momento é de apreensão.

Em condições normais, o candidato do Centrão já estaria encaminhado e em campo, mas a posição irredutível de Jair Bolsonaro (PL) de não admitir sua inelegibilidade deixa os partidos paralisados.

Aliados do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e do ex-presidente dizem que em fevereiro será feito o movimento de virada.

A aposta é que o chefe do Executivo paulista receberia em 30 ou 45 dias a transferência total de votos do bolsonarismo.

O Centrão, porém, tem pressa e estipulou dezembro como o prazo final. O governador do Paraná, Ratinho Jr, vem recebendo acenos do bloco enquanto se movimenta.