Haddad diz que Lula "ficou isolado" com taxa das blusinhas
Ex-ministro da Fazenda disse que presidente sempre foi contra a taxa e cobrou governadores

Defensor da chamada "taxa das blusinhas" quando estava no governo, o ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo paulista, Fernando Haddad (PT), disse nesta quarta-feira (13) que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou à sua "posição original" ao revogar a medida.
"O presidente Lula sempre foi contra a taxa das blusinhas, mas os governadores todos passaram a cobrar o ICMS. E eles nunca foram questionados sobre isso", disse Haddad.
O ex-ministro conversou com jornalistas após um evento com lideranças da sociedade civil organizada pelo grupo "Direitos Já" na Casa de Portugal, na capital paulista.
Quando a taxa foi anunciada, Haddad disse que a ideia era "equilibrar o jogo" entre as empresas varejistas, e não aumentar a arrecadação do governo.
"Todo Congresso Nacional votou à favor (da taxação). A condição para o presidente sancionar era que fosse unânime, e foi. Mas depois da aprovação, nenhum desses atores defendeu a proposta. Durante dois anos o presidente, que era contra, teve que defender. E quem estava à favor de se omitiu do debate", disse Haddad.
Ainda segundo o ex-ministro, depois disso Lula "voltou para a posição original".
"A única pessoa responsável do ponto de vista do interesse público foi o presidente da República que, mesmo sendo contra, deu o braço a torcer. Mas aí ele ficou isolado na defesa dessa proposta".
Haddad também chamou de "hipocrisia" a posição de Flávio Bolsonaro (PL) de defender o fim da taxa. "O PL votou à favor (da taxação)", afirmou.



