Pedro Venceslau
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Pedro Venceslau

Pós-graduado em política e relações internacionais, foi colunista de política do jornal Brasil Econômico, repórter de política do Estadão e comentarista da Rádio Eldorado

Justiça suspende congresso do Cidadania que mudou direção partidária

Grupo que defende aliança a Lula em 2026 retoma comando, que havia passado para deputado de oposição ao governo

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O Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJ-DF) suspendeu nesta quarta-feira (18) o congresso do Cidadania que havia colocado o grupo do ex-deputado e ex-presidente da legenda Roberto Freire e do deputado Alex Manente (SP) no comando da sigla.

Foram suspensas a reunião do Diretório Nacional realizada em 24 de fevereiro e, por consequência, os atos aprovados no Congresso Nacional Extraordinário promovido em 4 de março, encontro que havia sido convocado para eleger a nova direção partidária.

A decisão acatou o argumento de que a reunião não teve o quórum mínimo exigido pelo estatuto do Cidadania. Dos 102 membros do diretório nacional, 65 assinaram um documento dizendo que não estavam presentes.

A decisão é do desembargador Rômulo de Araújo Mendes, que concedeu tutela de urgência em recurso apresentado por integrantes da ala dissidente da legenda, entre eles o ex-ministro da Educação, Cristovam Buarque, e outros filiados que contestam a legalidade da convocação do congresso.

"Muito embora não tenha sido acostada na origem a ata da reunião do Diretório Nacional realizada em 24/2/2026, os documentos juntados apontam, prefacialmente, para a possível invalidade do ato praticado. Por esse motivo, mostra-se necessária a suspensão da referida reunião, eis que presentes os requisitos previstos no art. 300 do CPC", afirmou o desembargador.

“Vamos voltar à normalidade democrática do partido”, disse à CNN o presidente do Cidadania, Comte Bittencourt.

“Essa é uma suspensão temporária até que a gente se manifeste”, rebateu Manente, que por ora deixa o comando do partido.

Alinhamento eleitoral

Se a transição se confirmar, o Cidadania pode mudar de rumo nas eleições deste ano e deve entrar na coligação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“A tendência é estarmos com Lula e não renovarmos a federação com o PSDB”, disse à CNN Cristovam Buarque, aliado de Comte.

“Nosso grupo defende a aliança com Lula”, afirmou Comte.

Já Manente e Freire são contra o apoio a Lula e defendem a manutenção da federação do Cidadania com o PSDB, aliança firmada em 2022 e que está prestes a ser encerrada – segundo a legislação eleitoral, esse agrupamento tem duração obrigatória de quatro anos e exige que os partidos sigam as mesmas coligações nas disputas das urnas nesse período.

“Não temos nem tamanho para discutir apoio na eleição presidencial neste momento. Temos que sobreviver (à cláusula de barreira) e manter a federação com o PSDB, que tem 70% (do diretório)”, disse Manente.

*Em colaboração com Leticia Martins, da CNN Brasil