Priscila Yazbek
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Priscila Yazbek

Correspondente em Nova York, Priscila é apaixonada por coberturas internacionais e econômicas — e por conectar ambas. Ganhou 11 prêmios de jornalismo

Reunião da ONU sobre Irã deve ter novo impasse e Brasil apelará ao diálogo

EUA devem vetar qualquer resolução que condene o ataque ao Irã; se o Brasil participar, embaixador deve defender o diálogo e o direito internacional

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O Brasil aguarda a definição do escopo da reunião do Conselho de Segurança da ONU deste sábado (28) sobre o conflito entre Irã e Estados Unidos para definir se participará com algum posicionamento, segundo fontes diplomáticas.

A reunião de emergência foi convocada após os Estados Unidos e Israel lançarem ataques contra o Irã. Diplomatas da ONU disseram que o órgão de 15 membros se reunirá às 18h no horário de Brasília.

A missão russa na ONU divulgou um comunicado dizendo que a Rússia e a China pediram uma sessão de emergência. A reunião também foi convocada por outros países, como França, Bahrein, Colômbia e Somália.

O Reino Unido está na presidência mensal do Conselho, mas a partir deste domingo o mandato passa aos Estados Unidos. Segundo diplomatas, países se apressaram para solicitar a reunião neste sábado pois temiam que a presidência americana criasse algum empecilho sobre a discussão, como um adiamento da reunião ou uma restrição da lista de participantes.

Pelas regras do Conselho de Segurança, países que se consideram parte interessada no tema podem solicitar a participação na sessão. Mas o aval depende da interpretação da presidência em questão.

Diplomatas avaliam que a reunião não deve ser restrita apenas aos 15 membros do Conselho, já que o Irã e Israel são partes diretamente envolvidas na crise.

Se a presidência britânica decidir ampliar o escopo da reunião para além dos membros da região, o Brasil deve solicitar sua participação, segundo fontes.

Se houver abertura a outros países, o embaixador Sérgio Danese, que representa o Brasil na ONU, deve fazer um pronunciamento na mesma linha da nota divulgada pelo Itamaraty na manhã deste sábado.

O comunicado da diplomacia brasileira defende uma solução negociada para o conflito e apela a todas as partes para defender o direito internacional.

Novo impasse é aguardado

Não há expectativas de aprovação de uma resolução, assim como nas últimas discussões sobre conflitos internacionais do Conselho de Segurança.

Os cinco membros permanentes do órgão (Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido) têm poder de veto e, por estarem diretamente envolvidos na maioria das crises levadas à ONU, têm recorrido a essa prerrogativa nos debates recentes.

A dinâmica deve se repetir agora, especialmente se houver uma tentativa de aprovar um texto que condene explicitamente os Estados Unidos.

Diplomatas avaliam que, diante da divisão entre Rússia, China e EUA, a reunião pode ter caráter mais simbólico do que vinculativo. Assim como em reuniões anteriores, o Conselho deve servir como palco para que os países apresentem seus posicionamentos em relação ao conflito, mas sem expectativas de efeitos práticos.

Ainda assim, a reunião é vista como um termômetro importante para medir o grau de isolamento ou apoio diplomático às partes envolvidas na nova escalada.