Brasil articulou apoio de países à fala na OMC, mas evitou irritar EUA
Apoio de 40 países veio após articulação prévia e Brasil evita medidas mais duras na OMC enquanto tenta negociar com EUA, dizem fontes
A diplomacia brasileira articulou previamente o apoio de países às críticas feitas ao tarifaço no Conselho Geral da Organização Mundial do Comércio (OMC) nesta quarta-feira (23), segundo fontes que acompanharam as discussões disseram à CNN.
O discurso foi proferido pelo Secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Itamaraty, o embaixador Philip Fox-Drummond Gough, que condenou o uso de tarifas como ferramenta para interferir em assuntos internos de países.
Os países que endossaram o posicionamento brasileiro foram: China, Rússia, Peru, Hong Kong, Malásia, Austrália, Colômbia, Nova Zelândia, Camboja, Canadá, Índia, Camarões e Coreia do Sul e a União Europeia, que é formada por 27 países. Considerando o bloco europeu, 40 países apoiaram a intervenção.
Por não ser uma resolução, os países não votam propriamente, mas manifestaram apoio ao Brasil.
Para conseguir o endosso dos países, a missão do Itamaraty em Genebra conversou anteriormente com diplomatas de diversas nações para apresentar previamente as linhas gerais do posicionamento do Brasil.
Fontes informaram que não é praxe o Secretário participar desse tipo de reunião da OMC, mas ele viajou a Genebra justamente para levar o posicionamento brasileiro, que foi proferido por volta de meio-dia do horário local (7h de Brasília).
O secretário chegou na segunda-feira à Suíça e participou das reuniões durante dois dias.
Houve um cuidado entre os diplomatas brasileiros em Genebra para não fazer críticas diretas aos Estados Unidos, enquanto negociações entre Washington e Brasília acontecem no nível da chancelaria. A saída encontrada foi mencionar a necessidade de reformas na OMC e a defesa do multilateralismo.
Fontes também afirmam que enquanto o ministério de Relações Exteriores do Brasil coordena negociações com o governo Trump, a orientação para a missão em Genebra é não entrar com nenhuma medida mais incisiva no âmbito da OMC, como seria o caso de um pedido de disputa no Órgão de Solução de Controvérsias (OSC). A medida chegou a ser avaliada pelo governo Lula logo após o anúncio das tarifas de 50%.
O objetivo com o discurso do secretário Philip Fox-Drummond Gough neste momento era apenas mostrar que o Brasil é apoiado por importantes países em suas queixas sobre as políticas tarifárias de Donald Trump.
