Brasil condena ataque à Venezuela, mas deve manter diálogo aberto com EUA
Governo brasileiro já se dispôs a ser um mediador, mas não enxerga espaço neste momento

O governo brasileiro deve manter o diálogo aberto com os Estados Unidos, mesmo após condenar veementemente os ataques feitos à Venezuela e a captura de Nicolás Maduro, disseram fontes à CNN Brasil.
Após a coletiva de Donald Trump neste sábado (3) sobre a operação no país sul-americano, a visão da diplomacia brasileira é de que não há interesse dos EUA em uma mediação do conflito neste momento.
O Brasil se dispôs a atuar como mediador desde o início da crise entre Washington e Caracas, e o presidente Lula reforçou isso na mensagem publicada na manhã deste sábado.
Porém, fontes diplomáticas afirmaram que a mediação só é possível quando há condições para isso e não existe “candidatura a mediador”, um conceito básico nas relações internacionais.
Uma fonte explica que, apesar de não haver espaço para mediação, manter o diálogo com os Estados Unidos é algo diferente, mas igualmente importante, sobretudo no contexto de uma possível ocupação que se avizinha.
Neste momento, o governo avalia a situação com máxima cautela por se tratar de um episódio que pode “voltar o relógio para um cenário de décadas atrás”, conforme afirmou um interlocutor.
Uma das fontes avaliou que a gravidade da situação já se compara à guerra do Vietnã e acrescentou que os EUA atacaram muitas vezes países do Caribe e da América Central, mas tinham um certo “pudor” em exercer força militar direta na América do Sul.
Um interlocutor que acompanha as discussões de perto disse que agora é o momento de processar a coletiva de Trump, que trouxe muitas informações que exigirão muito trabalho de compreensão.
Portanto, o posicionamento pode mudar conforme as informações forem analisadas e novos desdobramentos acontecerem.
Reunião no Conselho de Segurança sobre Venezuela
O Brasil deve participar da reunião do Conselho de Segurança da ONU sobre os ataques na segunda-feira (5).
O posicionamento da diplomacia brasileira deve seguir a mesma linha da mensagem do presidente Lula, que afirmou que os ataques à Venezuela “ultrapassam uma linha inaceitável”, “representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela” e são uma “flagrante violação do direito internacional”.
Interlocutores afirmaram que o governo brasileiro, por meio de suas embaixadas em Caracas e Washington, realiza no momento um trabalho interno e intenso de checagem para obter mais informações sobre a situação na Venezuela e sobre as circunstâncias da captura de Nicolás Maduro.
A diplomacia brasileira está em contato constante com as autoridades locais na Venezuela e nos EUA. Diferentes atores do governo em Brasília, em Washington e em Caracas estão correndo atrás de apurar e checar informações, disse uma das fontes.
A força-tarefa visa fornecer mais detalhes sobre a operação do governo Trump para embasar os posicionamentos do Brasil.



