Conselho de Paz: Aporte de US$ 1 bi é para assento permanente, diz fonte
Valor não é exigido para entrar no grupo que coordenará a reconstrução de Gaza, mas para se tornar membro permanente, diz fonte do governo Trump à CNN Brasil

Um funcionário do governo dos Estados Unidos, que conversou com a CNN Brasil sob condição de anonimato, disse que o Conselho de Paz de Donald Trump para a Faixa de Gaza não exige a contribuição de US$ 1 bilhão (equivalente a cerca de R$ 5,3 bilhões) para integrar o grupo, mas que o valor permitiria a adesão como membro permanente.
A minuta da carta enviada a cerca de 60 países, com o convite do governo dos EUA, exige que os integrantes contribuam com US$ 1 bilhão em dinheiro se desejarem que sua participação dure mais de três anos, segundo o documento obtido pela Bloomberg News.
Mas a fonte da Casa Branca afirmou que "não há exigência de contribuir com US$ 1 bilhão — nem com qualquer valor — para integrar o Conselho da Paz".
"O estatuto apenas estabelece que quem contribuir com US$ 1 bilhão passa a ser membro permanente, em vez de ter um mandato de três anos", esclareceu.
O comitê foi anunciado pelos Estados Unidos na sexta-feira (16) e tem o objetivo de coordenar a desmilitarização e a reconstrução do território palestino.
O interlocutor do governo Trump afirmou que o Conselho tem um mandato abrangente para reconstruir toda a Faixa de Gaza, e os recursos arrecadados serão usados diretamente para cumprir esse objetivo.
"O Conselho de Paz atuará como liderança no terreno para garantir que praticamente cada dólar arrecadado seja aplicado diretamente na execução de seu mandato", disse a autoridade.
Segundo a fonte, não haverá salários exorbitantes nem um "inchaço administrativo", problemas que, segundo ela, afetam muitas outras organizações internacionais.
Brasil deve responder a convite na semana que vem
O presidente Lula deve responder ao convite feito por Donald Trump para integrar o Conselho da Paz de Gaza apenas na semana que vem, segundo fontes diplomáticas.
Interlocutores do governo brasileiro afirmam que o convite acabou de chegar, em um momento em que a diplomacia estava concentrada na assinatura do acordo entre Mercosul e União Europeia, realizada neste sábado (17) depois de 25 anos de negociação. Por isso, a resposta "é um assunto para a semana que vem".
A proposta foi recebida pelo mais alto nível da Embaixada do Brasil em Washington na tarde de sexta-feira e encaminhada ao Itamaraty.
Entre os pontos que o governo pesa para dizer se aceitará o convite ou não está a composição do Conselho. Há uma preocupação sobre a ausência de representação dos palestinos e a falta de consulta aos israelenses.
A avaliação feita é de que é um assunto delicado, que envolve diversos atores, e é preciso ponderar com cuidado as consequências de uma eventual participação brasileira. "Isso não se faz em duas horas de um sábado", afirmou um interlocutor.
No comunicado sobre a formação do Conselho de Paz, divulgado na sexta, a Casa Branca afirmou que integrantes adicionais do comitê “seriam anunciados nas próximas semanas”.
O conselho não tem nenhum representante da Autoridade Palestina, rival do Hamas, que administra partes da Cisjordânia ocupada e que deverá assumir o controle de Gaza após as reformas.
E o gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse que a composição do conselho não foi coordenada com Israel e contradiz sua política, possivelmente em reação ao envolvimento da Turquia.



