Conversa com Lula não pode ser palco para Trump, dizem fontes do governo
Brasil avalia com cuidado o formato do encontro entre Lula e o presidente dos Estados Unidos
Depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que está disposto a conversar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, diplomatas e fontes do governo avaliam como seria o formato do encontro.
A principal preocupação é evitar que a conversa seja transformada em um espetáculo político para Trump, como já ocorreu anteriormente quando o republicano insultou líderes na Casa Branca. Fontes do governo afirmam que deve haver um cuidado para “não colocar uma câmera para Trump dar show”. É por isso que o formato do encontro agora é avaliado meticulosamente e deve acontecer por telefone. Uma reunião presencial e às pressas poderia trazer mais riscos de se transformar em um palco para Trump .
Diplomatas afirmam que o clima ainda é “muito quente”, e a ordem é agir com cautela porque o governo não quer correr o risco de levar uma ‘double bid’ de Donald Trump, ou seja, quer evitar abrir o flanco para que ele dobre a aposta.
Ainda que Trump tenha surpreendido o mundo ao mudar o tom sobre o presidente Lula, o cenário concreto ainda é de tarifas de 50% e aplicação de sanções. Portanto, a sinalização de Trump pode ter sido apenas um blefe e não significa, por ora, mudanças na prática.
O governo brasileiro já deixou claro que não há possibilidade de conversa se a demanda de Trump para qualquer negociação envolver o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, considerado uma questão interna e de competência exclusiva do Judiciário brasileiro. Portanto, se o republicano continuar insistindo em pedir a anulação do julgamento de Bolsonaro como condição para negociações, a conversa já nasce morta.
No entanto, se Trump estiver disposto a deixar a política de lado, diplomatas apontam que há espaço para discutir temas econômicos.
Nesse caso, Lula insistiria na argumentação de que o Brasil mantém superávit comercial com os Estados Unidos e poderia eventualmente até mesmo negociar pontos específicos, como a redução de tarifas sobre a compra de etanol americano.
A posição mais firme do Planalto também reflete o incômodo com recentes declarações de Trump, que atacou o presidente da Ucrânia Volodymyr Zelensky e o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, em visitas à Casa Branca no início do ano.
Fontes reforçam que não há motivos para marcar a reunião às pressas ainda em Nova York e querem conduzir as negociações de forma que o encontro traga ganhos diplomáticos claros e não uma exposição desnecessária.



