Priscila Yazbek
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Priscila Yazbek

Correspondente em Nova York, Priscila é apaixonada por coberturas internacionais e econômicas — e por conectar ambas. Ganhou 11 prêmios de jornalismo

Diplomatas veem decisão dos EUA como "golaço" do bolsonarismo

Classificação de grupos como terroristas mostra enorme influência do bolsonarismo sobre o governo Trump, admitem fontes diplomáticas

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Diplomatas brasileiros admitem que a decisão dos Estados Unidos de classificar facções criminosas brasileiras como grupos terroristas foi uma vitória do bolsonarismo e um sinal da sua enorme influência sobre o governo Trump. Uma das fontes chegou a classificar a medida como um "golaço" de Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Integrantes do Itamaraty afirmam que o PCC e o Comando Vermelho têm atuação mais restrita ao Brasil do que outros grupos classificados como terroristas pelo governo americano anteriormente, como Cartel de los Soles, Cartel de Sinaloa e o MS-13.

Portanto, a percepção é de que o governo Trump adotou a medida a pedido do senador Flávio Bolsonaro e seus aliados, que estiveram em Washington nesta semana, para ajudá-los na eleição.

Um dos diplomatas relatou que ficou impressionado com a "enorme influência" do bolsonarismo sobre o governo Trump.

A designação dos grupos como terroristas acontece dois dias depois do encontro entre Flávio Bolsonaro e Donald Trump na Casa Branca na terça-feira (26) e no dia seguinte à reunião do senador com o secretário de Estado, Marco Rubio.

Uma fonte que acompanhou de perto as visitas afirma que Paulo Figueiredo, empresário e aliado de Flávio, apresentou a Trump documentos que mostravam dados sobre a criminalidade no Brasil.

O republicano teria ficado impressionado com um dado que revelava que cerca de 20% dos brasileiros vivem em áreas dominadas por facções criminosas, segundo o interlocutor. A fonte não especificou qual foi o estudo apresentado, portanto a CNN não pôde verificar a autenticidade da informação.

O governo Lula rejeita a classificação de grupos como terroristas e vinha se esforçando para evitá-la porque acredita que a designação abre espaço para uma atuação mais agressiva de Washington sobre o sistema financeiro brasileiro e para punições contra indivíduos ligados às facções, o que gera preocupação no governo brasileiro por questões de soberania.

Quando Lula se encontrou com Trump em Washington, no último dia 7 de maio, o presidente brasileiro entregou um documento a Trump posicionando-se contra a designação. Lula tentou trazer uma outra abordagem sobre o tema e os líderes concordaram em criar um grupo de trabalho focado na cooperação contra o crime organizado e crimes transnacionais, com foco na troca de inteligência.