Priscila Yazbek
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Priscila Yazbek

Correspondente em Nova York, Priscila é apaixonada por coberturas internacionais e econômicas — e por conectar ambas. Ganhou 11 prêmios de jornalismo

Logo do Conselho de Paz de Trump lembra o da ONU, mas com EUA no centro

Emblema foi revelado durante lançamento da iniciativa em Davos, nesta quinta-feira (22)

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O logotipo do Conselho da Paz, apresentado nesta quinta-feira (22) por Donald Trump em Davos, traz um escudo com um globo terrestre no meio, rodeado por dois ramos de oliveira.

O emblema lembra o da ONU (Organização das Nações Unidas), mas com uma importante diferença: a marca da ONU mostra o mundo inteiro e a do Conselho de Trump coloca a América do Norte ao centro.

Os ramos de oliveira simbolizam paz e diplomacia e o globo sugere o alcance global do Comitê, que foi criado para reconstruir e desmilitarizar Gaza.

Mas ao destacar a América do Norte, em vez de todos os continentes, como a ONU, o emblema reforça a busca por protagonismo dos Estados Unidos — e pode alimentar ainda mais o ceticismo sobre a abrangência da iniciativa.

Depois de afirmar que o Conselho "poderia substituir a ONU" na terça-feira (20), Trump iniciou seu discurso no Fórum Econômico Mundial nesta quinta dizendo que "trabalhará com muitos outros, incluindo as Nações Unidas". Ele acrescentou que a “ONU tem enorme potencial, mas não o utiliza”.

Na apresentação do Conselho, Trump apareceu ao lado de líderes como o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, e o presidente da Argentina, Javier Milei. Mas aliados históricos dos EUA, como o Reino Unido, a França e a Alemanha, estavam ausentes.

A configuração do painel em Davos evidenciou as profundas mudanças na ordem global com os Estados Unidos sob a liderança de Trump.

Segundo a Casa Branca, cerca de 50 países foram convidados a integrar o comitê, mas até o momento cerca de 35 aceitaram. Noruega, Suécia, Eslovênia e França já anunciaram que não vão participar.

O Brasil está entre os países que receberam o convite. Na terça-feira, Trump disse que espera que o presidente Lula tenha "um papel importante" no Conselho de Paz de Gaza, acrescentando que "gosta dele".

O elogio deve entrar no cálculo sobre uma resposta ao convite para integrar o grupo, segundo fontes do governo brasileiro.

Interlocutores afirmam que o Brasil faz "uma análise cuidadosa" e vai responder "com calma" à proposta. Entre os pontos que o governo pesa para dizer se aceitará o convite ou não está a composição do Conselho. Há uma preocupação sobre a ausência de representação dos palestinos e as críticas feitas pelos israelenses.

O conselho não tem nenhum representante da Autoridade Palestina, rival do Hamas, que administra partes da Cisjordânia ocupada e que deverá assumir o controle de Gaza após as reformas.

Apesar de Israel ter anunciado a sua adesão, nenhum integrante do governo israelense compareceu à apresentação feita por Trump na Suíça. Isaac Herzog, o presidente de Israel, está em Davos, mas seu porta-voz confirmou a ausência na cerimônia, sem dar mais detalhes.

No final de semana, o gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse que a composição do conselho não foi coordenada com Israel e contradiz sua política, possivelmente em reação ao envolvimento turco.

Trump classifica o Conselho de Paz como "o maior e mais prestigioso comitê já reunido" e afirma que diversos países integrarão o grupo.

Mas muitos líderes ainda pesam as intenções dos Estados Unidos com a iniciativa, enquanto críticos avaliam que a supervisão norte-americana de um território estrangeiro remete a uma lógica colonialista.

Na linguagem da diplomacia, em que gestos e imagens têm forte peso, um logo com os Estados Unidos no centro do mundo pode dizer muito sobre as intenções de Donald Trump.