Priscila Yazbek
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Priscila Yazbek

Correspondente em Nova York, Priscila é apaixonada por coberturas internacionais e econômicas — e por conectar ambas. Ganhou 11 prêmios de jornalismo

Lula tenta reforçar imagem de equilíbrio no G7 no Canadá, após ida a Moscou

Cúpula será chance de demonstrar que o Brasil é um líder do Sul global, mas que também dialoga com as grandes potências

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva buscará reforçar a imagem de multilateralismo do Brasil na cúpula do G7, no Canadá, que começa nesta segunda-feira (16). Segundo fontes do governo, o encontro será uma oportunidade de demonstrar que Lula não é apenas um líder do Sul Global, mas também tem um bom trânsito entre as grandes potências.

O presidente participará do encontro nas montanhas de Kananaskis, na província de Alberta, a convite do primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney. Lula desembarcará em Calgary por volta das 22h (horário de Brasília) desta segunda para a sua nona participação em cúpulas do G7.

Fontes diplomáticas afirmam que Lula buscará projetar a imagem de um líder que conversa com russos e ucranianos, com países do Brics e também com a elite global. O G7 é formado por Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido.

A intenção do governo é destacar que o Brasil é um país equilibrado, que dialoga com todos os atores, depois das críticas recebidas pela visita de Lula ao presidente da Rússia, Vladimir Putin, no início de maio, para as comemorações do Dia da Vitória.

Com foco nesse objetivo, Lula aceitou o convite para uma reunião bilateral com o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky na terça-feira (17).

Uma das fontes que conversou com a CNN afirmou que o encontro só não acontecerá se houver algum imprevisto. Há uma certa cautela porque essas cúpulas costumam ter mudanças repentinas de agenda. No G7 de Hiroshima, em 2023, também havia uma previsão de reunião com Zelensky que não se concretizou.

A reunião é crucial para o presidente recuperar a "imagem de equilíbrio" depois de ter sido o único líder de um país democrático relevante a participar do Dia da Vitória na Rússia. E também depois de repetir diversas vezes que tanto Moscou quanto Kiev são responsáveis pela guerra, algo que incomoda não só Zelensky, como seus aliados europeus.

Lula também viajou à China, depois de passar pela Rússia, por isso fontes afirmam que no Canadá será o momento de o Brasil dizer que não conversa apenas com os países do Brics, mas também com as grandes potências globais.

No encontro, Lula deve abordar sua preocupação com a escalada dos conflitos no Oriente Médio, conforme apuração da âncora Débora Bergamasco. O presidente vai salientar que não é possível falar em segurança energética sem tratar da paz no mundo. Lula não deve condenar diretamente Israel e Irã, conflito o será o pano de fundo de sua fala pública

Além do encontro com o presidente ucraniano, até este domingo (15) estava prevista oficialmente apenas uma reunião bilateral: com o anfitrião do evento, Mark Carney.

Diplomatas afirmam que outros encontros podem surgir, a depender da disponibilidade de agenda dos líderes. Mas uma bilateral com Trump está descartada.

Segundo fontes, Lula se encontraria com o presidente americano apenas se houvesse um convite, mas nenhuma proposta foi feita. A falta de interesse de ambos os lados evidencia, mais uma vez, que o contato entre as diplomacias brasileira e americana têm sido mínimo e meramente protocolar.