Priscila Yazbek
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Priscila Yazbek

Correspondente em Nova York, Priscila é apaixonada por coberturas internacionais e econômicas — e por conectar ambas. Ganhou 11 prêmios de jornalismo

Medo de brasileiros irregulares pode elevar abstenção em NY, diz embaixador

Fiscais do PT e do PL também relataram que eleitores de ambos os partidos não foram votar por receio de possíveis ações do ICE

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O receio de votar entre brasileiros em situação migratória irregular pode aumentar a abstenção nas eleições presidenciais em Nova York, afirmou à CNN o embaixador Adalnio Ganem, cônsul-geral do Brasil em Nova York.

“Creio que há uma certa preocupação da população brasileira com segurança, sobretudo os não documentados, então pode ser que haja uma quebra maior, uma abstenção maior”, disse Ganem.

O embaixador, que já participou de outros seis pleitos, afirmou que a abstenção nos Estados Unidos costuma ser de cerca de dois terços dos eleitores, mas pode ser ainda maior nas eleições de 2026.

Fiscais do PL e do PT que estão no Queens College para monitorar o pleito em Nova York também relataram à CNN que eleitores de ambos os partidos deixaram de comparecer às urnas nestas eleições por temer algum tipo de ação do ICE, a polícia de imigração dos Estados Unidos.

Segundo os fiscais, o receio sobre as autoridades de imigração americanas já desencorajava parte brasileiros a votar em eleições passadas, mas o aumento das detenções do ICE durante o governo de Donald Trump aprofundou o temor neste ano.

De acordo com o embaixador, a escolha do campus no Queens como novo local de votação em Nova York levou em conta a organização e a segurança da comunidade. Até o momento da entrevista, a votação corria sem incidentes.

Outro fator que pode elevar a abstenção é a maior distância do local de votação, segundo os fiscais. Até as últimas eleições, os brasileiros votavam em uma escola em Manhattan, que está em reforma, por isso a necessidade de mudar o local para o Queens. Uma fiscal do PL afirmou que eleitores que moram em Nova Jersey estão levando duas horas e meia para chegar até o campus no Queens e relatou que muitos eleitores deixaram de ir votar por causa da longa viagem.

“Eu sou de Nova Jersey e conheço muitos brasileiros em situação legal que não vieram por causa da distância. Amigos de Jersey City demoram duas horas e meia, e de Newark e Elizabeth, três horas e meia ou mais de transporte público para chegar. Para mim, esse é o principal motivo para o aumento da abstenção”, afirma Edileuza Giacomini, fiscal do PL.

Fabiana Alves, mesária e moradora de Mount Vernon, concorda que a distância contribuiu, mas acredita que o temor das autoridades migratórias também deve ter pesado na decisão de não votar. “Eu tenho um escritório de consultoria que presta assessoria a imigrantes e estava em um evento nesta semana, a Expo Brasil, em Port Chester, que estava vazio também por causa da situação migratória”, relata.

O número de eleitores brasileiros cadastrados nos Estados Unidos equivale a cerca de 13% da população brasileira estimada no país, segundo cruzamento de dados do Ministério das Relações Exteriores e do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

De acordo com aos dados mais recentes do Itamaraty, referentes a 2023, cerca de 2,075 milhões de brasileiros residem em território americano. Segundo os dados do TSE, 265 mil brasileiros estão aptos a votar no país, ou 12,77% do total.

Como as estimativas não discriminam a população por idade, não é possível calcular a proporção de eleitores cadastrados em relação à comunidade brasileira em idade de votar.

Fontes do governo ouvidas pela CNN relacionam o baixo cadastramento ao temor de parte dos brasileiros em situação migratória irregular de sofrer alguma ação das autoridades de imigração americanas.

Apesar do receio de que o cadastro eleitoral gere algum tipo de risco a brasileiros em situação irregular, o embaixador Adalnio Ganem esclareceu que o consulado não repassa “de forma alguma” qualquer tipo de informação dos cidadãos brasileiros às autoridades americanas.