Priscila Yazbek
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Priscila Yazbek

Correspondente em Nova York, Priscila é apaixonada por coberturas internacionais e econômicas — e por conectar ambas. Ganhou 11 prêmios de jornalismo

Clima no Itamaraty é de indignação após EUA revogarem visto de embaixadora

Fontes dizem que EUA "tratoraram a Convenção de Viena", que estabelece regras diplomáticas

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O clima no Itamaraty é de indignação com a revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington.

Depois de o governo americano afirmar que deu ao Brasil "todas as oportunidades para fazer a coisa certa", uma fonte diplomática disse à CNN Brasil que os Estados Unidos "tratoraram a Convenção de Viena" e que, depois, falam em "fazer a coisa certa".

A frase é uma referência às regras que regem as relações diplomáticas entre os países.

A Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, de 1961, estabelece normas para o tratamento de diplomatas e das relações entre Estados. Na visão das fontes diplomáticas, revogar o visto da embaixadora é uma medida que foge ao tratamento tradicional.

Em vez de seguir os mecanismos previstos pela convenção, como declarar a diplomata persona non grata, se fosse o caso, os EUA teriam adotado uma medida inédita ou pouco usual.

Há uma percepção dentro da diplomacia brasileira de que o governo de Donald Trump alterou a ordem dos fatores ao anunciar a indicação de Daniel Perez para o cargo de embaixador dos Estados Unidos no Brasil antes que houvesse uma confirmação por parte da diplomacia brasileira sobre conceder o agrément.

Segundo um dos diplomatas, normalmente as diplomacias concordam com o agrément antes que a decisão seja anunciada. No caso do governo americano, a divulgação e a sabatina aconteceram antes que houvesse um aval por parte do Itamaraty.

Daniel Perez, deputado estadual da Flórida e aliado do secretário de Estado Marco Rubio, foi indicado pelo presidente Donald Trump em 1º de junho para o cargo de embaixador no Brasil, mas sua nomeação ainda não foi aprovada pelo Itamaraty.

Por isso, diplomatas consideram contraditório o Departamento de Estado afirmar que deu ao Brasil "todas as oportunidades para fazer a coisa certa" quando os próprios EUA teriam ignorado os princípios da Convenção de Viena.