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    Raquel Landim

    Raquel Landim

    Com passagens pelos principais jornais do país como repórter especial e colunista, recebeu o prêmio “Jornalista Econômico” de 2022 pela Ordem dos Economistas do Brasil

    Governo suspeita de ataque coordenado de Musk e deputados bolsonaristas

    Autoridades brasileiras reconhecem dificuldade em comprovar coordenação entre os parlamentares e o dono do ex-Twitter, mas investigações prosseguem

    Governo suspeita de ataque coordenado de Musk e deputados bolsonaristas
    Governo suspeita de ataque coordenado de Musk e deputados bolsonaristas

    O governo brasileiro suspeita que os ataques de Elon Musk ao ministro Alexandre de Moraes e agora ao presidente Lula estão sendo feitos em coordenação com deputados bolsonaristas, apurou a CNN com autoridades a par do assunto.

    Entre os bolsonaristas envolvidos estariam os deputados Eduardo Bolsonaro, Marcel Van Hattem (Novo), Nikolas Ferreira (PL), Gustavo Gayer (PL), Bia Kics (PL), entre outros.

    O governo brasileiro já fez um mapeamento que mostram como as investidas são articuladas e ocorrem ao mesmo tempo. Ontem à noite, enquanto o senador Flavio Bolsonaro dava entrevista ao programa Roda Viva, Musk escalou a crise mirando Lula.

    Segundo uma autoridade brasileira, o primeiro ataque a Lula foi coordenado com Van Hattem e Nikolas. Primeiro, Van Hattem faz um post com o jornalista que publicou o “Twitter files”.

    Em seguida, Musk responde ao deputado dizendo que, “desde que Moraes tirou Lula da cadeia”, o presidente “não toma nenhuma ação contra ele”.

    Nikolas também faz uma publicação, dizendo que Musk estava denunciando que “Moraes tinha Lula na coleira e havia colocado seu dedo na escala para elegê-lo”. E pede mais informações ao bilionário.

    Musk então responde: “temos que colocar nossos empregados em segurança ou então seremos responsabilizados, aí então divulgaremos tudo. Nos disseram que eles podem ser presos”.

    Procurados pela CNN, os deputados Nikolas Ferreira e Marcel Van Hatem dizem que o movimento é espontâneo. Os demais ainda não responderam os contatos da reportagem.

    “Fantasia pura o que estão dizendo. Eu sequer sabia dos twitter files, muito menos que meu nome estaria la. Fui surpreendido com a publicação”, disse Van Hattem.

    As acusações de Musk não tem nada concreto, portanto, não são passíveis ainda de punição pela Justiça, mas são suficientes para inflamar a opinião pública local e internacional.

    Nas redes sociais, o líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues, disse que o objetivo de Musk é fazer o governo bloquear o X país para se vitimizar. “O golpe está aí. Cai quem quer”, escreveu.

    Segundo fontes, a hipótese das autoridades é que a articulação com Musk tenha começado em março quando Eduardo Bolsonaro esteve nos Estados Unidos e se encontrou com Donald Trump. Fontes próximas a ele negam que ele tenha se reunido com Musk.

    Os contatos entre a direita no Brasil e lá fora seriam intensificados nessas viagens internacionais. Agora o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro está na Europa acompanhado de Bia Kics, Gayer e integrantes do Vox, da extrema direita espanhola.

    Segundo posts de Bia Kics, o objetivo é denunciar no parlamento europeu e em Haia “os ataques à liberdade de expressão e a tirania do governo Lula e sua inaceitável política externa”.

    As autoridades brasileiras reconhecem é difícil comprovar a coordenação entre os deputados e Musk, porque eles tem imunidade parlamentar e a usam, conforme essas fontes, para inflamar o discurso de ódio e ataque à democracia, mas as investigações prosseguem.