Rita Mundim
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Rita Mundim

A comentarista de economia da CNN é especialista em Mercado de Capitais pela UFMG e em Ciências Contábeis pela FGV. Em 2024, ganhou o prêmio de Influenciadora Coop da Organização das Cooperativas Brasileiras.

Análise: Ressaca da euforia atinge Ibovespa

Após forte alta de 7,7% na véspera, índice recua em movimento de ajuste; queda das ações da Petrobras pressiona o mercado

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O Ibovespa encerrou a sessão de terça-feira (6) em queda, em um movimento de ajuste após o forte rali da véspera, quando o índice atingiu máximas históricas impulsionado pela euforia dos mercados com o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais.

A analista Rita Mundim avaliou o comportamento do mercado e destacou que o recuo era esperado e saudável.

A comentarista explicou que o Ibovespa chegou a subir quase 10% durante a sessão anterior, encerrando o pregão com alta de 7,7%. Segundo ela, a valorização foi impulsionada pela perspectiva de uma possível queda dos juros associada a uma alternância de poder com maior atenção ao equilíbrio das contas públicas.

"O oxigênio da bolsa é juros em queda", afirmou. Diante desse cenário, uma "avalanche de compradores" entrou no mercado, levando à forte alta registrada na véspera.

A analista apontou ainda que a queda das ações da Petrobras contribuiu para pressionar o índice nesta sessão, em meio ao recuo do preço do barril de petróleo no início dos negócios. Ainda assim, o Ibovespa chegou a operar brevemente no campo positivo durante o pregão, reduzindo a queda para cerca de 0,28%, após recuar quase 1%.

"Isso é normal, isso é saudável", avaliou.

Relatório da Febraban e projeções para a Selic

Rita Mundim também comentou o relatório divulgado pela Febraban, elaborado 45 dias após a reunião do Copom. Segundo a pesquisa, 50% dos bancos consultados esperam que a Selic encerre o ano em 13,5%, enquanto 30% projetam a manutenção da taxa em 13,75% e 20% apostam em dois cortes adicionais, levando a Selic a 13,25%.

A analista ressaltou que, enquanto o Ibovespa recuava, o dólar operava em queda de 0,41%, cotado a R$ 4,98, e os juros futuros também caíam mais de 1%. Para ela, o movimento sinaliza uma correção dos prêmios de risco embutidos nos ativos brasileiros.

Inflação e PIB no radar

Sobre a inflação, o levantamento da Febraban mostrou que 50% dos bancos esperam que o índice encerre o ano acima de 4,9%, ultrapassando o teto da meta de 4,5% e em linha com a projeção do Boletim Focus do Banco Central, que está próxima de 5%.

A comentarista afirmou compartilhar dessa visão, citando a pressão sobre os preços dos alimentos. Segundo ela, a deflação registrada em agosto não deve se repetir nos meses seguintes, já que foi influenciada pelo bônus de Itaipu, um benefício concedido apenas uma vez ao ano.

Em relação ao PIB, 45% dos bancos consultados projetam crescimento de 1,85% em 2026, em linha com o Boletim Focus, enquanto 40% esperam um resultado inferior. Na contramão da maioria dos economistas ouvidos pela Febraban, o Banco Mundial revisou para cima sua projeção para o Brasil, de 1,9% para 2,1%.

Mundim, no entanto, afirmou estar mais alinhada à visão dos economistas dos bancos e avaliou que o PIB brasileiro deve crescer menos de 1,85% em 2026.

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