Análise: Retaliação a tarifaço não é o mais apropriado
Comentarista defende negociação conjunta entre os cerca de 60 países atingidos pelas tarifas dos Estados Unidos

A comentarista de economia Rita Mundim avaliou que, diante do tarifaço imposto pelos Estados Unidos, a retaliação não é a resposta mais adequada neste momento. Para ela, o cenário exige, "mais do que nunca", disposição para negociar e construir soluções diplomáticas.
Ao CNN Money, Mundim afirmou que o Brasil está longe de ser um caso isolado. Ela destacou que cerca de 60 países foram atingidos pelas novas tarifas americanas e que, juntos, respondem por 99,4% das importações dos Estados Unidos. "Não é um privilégio do Brasil", afirmou.
"Esses 60 países são aqueles que mais negociam com os Estados Unidos e representam 99,4% das importações dos americanos."
Na avaliação da comentarista, o alcance das medidas abre espaço para uma articulação conjunta entre as nações afetadas. Para ela, uma atuação coordenada fortaleceria o poder de barganha desses países nas negociações com o governo americano.
"Como são 60 países envolvidos, é possível, inclusive, criar uma corrente desses países em conjunto, fazer um tipo de defesa, porque realmente você vê a importância desses países em fornecer produtos aos Estados Unidos", disse.
Mundim argumentou ainda que, em diversos setores, os Estados Unidos dependem de fornecedores distribuídos entre vários desses países. Nesse contexto, uma negociação coletiva poderia exercer pressão significativa sobre Washington.
"A gente sabe que quando há uma ameaça de inflação lá, o Trump recua", pontuou a comentarista, sugerindo que esse fator pode ser utilizado como instrumento de negociação.
Ao concluir sua análise, Mundim reforçou que o momento exige cautela e diálogo, e não uma resposta imediata por meio de retaliações comerciais. "A retaliação nesse momento, eu continuo achando que não é o momento mais apropriado. É necessário, inclusive, buscar uma parceria global para entender e negociar", afirmou.
Para a comentarista, o cenário ainda é cercado de incertezas, o que torna prudente aguardar os próximos desdobramentos antes de qualquer reação mais contundente. "Vamos deixar a poeira baixar e ver o que acontece", concluiu.



