Rita Mundim
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Rita Mundim

A comentarista de economia da CNN é especialista em Mercado de Capitais pela UFMG e em Ciências Contábeis pela FGV. Em 2024, ganhou o prêmio de Influenciadora Coop da Organização das Cooperativas Brasileiras.

Análise: BC foi conservador em relação aos juros

Decisão do Banco Central reflete preocupações com inflação e crescimento econômico acima da capacidade, além de incertezas externas e política fiscal

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O Copom (Comitê de Política Monetária) manteve a taxa básica de juros em 15%, adotando uma postura considerada conservadora pelo mercado financeiro. A decisão reflete a vigilância contínua do BC (Banco Central) em relação à inflação e sua meta de trazê-la para o centro do objetivo estabelecido.

A manutenção da taxa elevada está relacionada a diversos fatores de preocupação, afirma Rita Mundim, comentarista de Economia da CNN Brasil. Entre eles, destacam-se o mercado de trabalho aquecido, o crescimento do país acima de sua capacidade e questões relacionadas à política fiscal.

"O Banco Central mais uma vez colocou o dedo na ferida, foi muito transparente e diante da preocupação dele de trazer a inflação para o centro da meta, ele está sendo, sim, conservador", destaca.

O comunicado do Copom manteve ainda a possibilidade de elevação dos juros, caso necessário, relembra Mundim.

Apesar da decisão conservadora, o Ibovespa reagiu positivamente e chegou a superar 154 mil pontos, impulsionado principalmente pela valorização das commodities.

O dólar, por sua vez, registrou queda frente ao real, refletindo a atratividade da taxa de juros brasileira, analisa a comentarista.

"Estamos com a maior taxa real para o Brasil neste século e uma das maiores do mundo, só perdendo para a Turquia. Diante da expectativa de manutenção de juros em um patamar mais alto, temos essa atratividade para nossa renda fixa", diz.

As expectativas do mercado para o primeiro corte na taxa Selic foram postergadas para março. Esta mudança ocorreu apesar da queda nas projeções de inflação por seis semanas consecutivas, de 4,8% para 4,5%.

O Banco Central mantém seu foco no centro da meta de inflação, demonstrando que a atual desaceleração inflacionária ainda está distante do objetivo de 3%, ressalta Mundim.

Um dos principais desafios identificados, segundo a comentarista, é o descompasso entre as políticas monetária e fiscal.

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