Rita Mundim
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Rita Mundim

A comentarista de economia da CNN é especialista em Mercado de Capitais pela UFMG e em Ciências Contábeis pela FGV. Em 2024, ganhou o prêmio de Influenciadora Coop da Organização das Cooperativas Brasileiras.

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Análise: Déficit nas contas externas é o maior em quase 12 anos

Com 68,8 bilhões de dólares, o déficit nas contas externas brasileiras foi impactado pela diminuição do superávit da balança comercial, afetada pelo tarifaço de Trump

Notas de dólar
Notas de dólar  • REUTERS/Dado Ruvic/Imagem ilustrativa
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O déficit nas contas externas brasileiras atingiu US$ 68,8 bilhões, representando o maior valor em quase 12 anos. A principal causa para este aumento foi a diminuição do superávit da balança comercial, que sofreu uma queda de quase 10% no último ano.

De acordo com Rita Mundim, analista de Economia do CNN Money, o desempenho mais fraco da balança comercial foi motivado pelo tarifaço implementado por Trump e também pela queda nos preços de importantes commodities brasileiras.

"Nós vimos aí o petróleo recuando, o próprio minério recuando e depois o minério recuperou. Mas ao longo do ano a gente teve uma perda de preço tanto de petróleo quanto de minério", explicou.

Em comparação histórica, o déficit atual ainda está abaixo do registrado na máxima, quando alcançou US$ 110 bilhões durante um período de crise econômica no Brasil. Após esse pico, o país registrou um déficit de US$ 63,9 bilhões em 2019, antes da pandemia.

Perspectivas para a política monetária

Em relação à política monetária brasileira, as projeções de inflação para 2026 foram reduzidas para 4% no Boletim Focus, mas especialistas alertam que este valor ainda está mais próximo do teto da meta (4,5%) do que do centro (3%).

"O Banco Central trabalha com horizonte relevante até 2027. E se a gente olha para as projeções de 2027 feitas pelo próprio mercado, o que a gente vê é a manutenção da taxa a 3,80, acima inclusive das próprias projeções do Banco Central", destacou Mundim.

Dois fatores principais preocupam o Banco Central atualmente: a falta de uma política fiscal mais rígida por parte do governo e a força do mercado de trabalho, que pressiona os preços por meio do aumento da demanda e da massa de renda.

"O Banco Central pisa no freio, o governo continua pisando no acelerador e nós estamos em ano eleitoral", alertou a analista.

Para possíveis cortes na taxa de juros, o mercado financeiro deverá observar atentamente os dados do mercado de trabalho e a prévia da inflação de janeiro (IPCA-15), que deve vir em torno de 0,25% a 0,3%.

A taxa projetada para o final do ano já está acima de dois dígitos, em 12,25%, refletindo a falta de convergência entre as políticas fiscal e monetária no país.

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