Análise: Mercado de trabalho aquecido e serviços são desafios ao BC
Relatório de mercado do Boletim Focus indica redução nas projeções inflacionárias para próximos anos, porém mantém perspectiva acima do centro da meta para 2027
O mercado financeiro reduziu suas projeções de inflação para 2025 e 2026, conforme dados do Boletim Focus divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (29), mas manteve as expectativas elevadas para 2027.
A comentarista de Economia da CNN, Rita Mundim, avaliou em participação no CNN Money que o cenário ainda é desafiador para a política monetária brasileira, sobretudo pelo mercado de trabalho ainda aquecido e a persistência da inflação de serviços.
Para 2025, a projeção da inflação foi ajustada para 4,81%, enquanto o Banco Central trabalha com uma estimativa de 4,86%. Já para 2026, houve redução para 4,28%.
No entanto, Mundim destaca que o ano de 2027, horizonte relevante para a autoridade monetária, que busca trazer o aumento de preços para o centro da meta. O mercado mantém uma projeção de 3,9%, significativamente acima dos 3,4% estimados pelo Banco Central.
Desafios da política monetária
A analista afirma que o cenário atual apresenta dois pontos de preocupação principais para o BC, citados pelo presidente da autoridade monetária, Gabriel Galípolo: o mercado de trabalho aquecido e a inflação de serviços persistentemente elevada desde a pandemia.
O hiato do produto, indicador que mede a diferença entre o crescimento real e potencial da economia, só deve ficar negativo no primeiro trimestre de 2027, segundo estimativa do BC.
Em relação ao câmbio, as projeções foram reduzidas para R$ 5,48 no final deste ano e R$ 5,58 para o próximo. Contudo, para Mundim, é importante considerar a pressão sazonal de final de ano, período marcado por remessas das multinacionais para suas matrizes e aumento nas demandas por viagens.
Questão fiscal
A analista afirma que o cenário fiscal segue como ponto de atenção, com projeções de déficit entre R$ 70 bilhões e R$ 80 bilhões, significativamente acima da meta estabelecida.
Ela relembra que o TCU (Tribunal de Contas da União) alertou sobre a necessidade de o governo não trabalhar constantemente no limite da meta fiscal, enquanto Fernando Haddad reafirma o compromisso com o equilíbrio das contas públicas.
As perspectivas para 2026 e 2027 geram preocupações adicionais, para Mundim, especialmente considerando o contexto eleitoral e a necessidade de ajustes estruturais nas contas públicas.
A dívida pública pode atingir patamares próximos a 80% do PIB, acendendo um alerta vermelho para a sustentabilidade fiscal do país, segundo a analista.



