Rita Mundim
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Rita Mundim

A comentarista de economia da CNN é especialista em Mercado de Capitais pela UFMG e em Ciências Contábeis pela FGV. Em 2024, ganhou o prêmio de Influenciadora Coop da Organização das Cooperativas Brasileiras.

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Trump enfraquece dólar e bolsas emergentes agradecem

Bolsa brasileira renova recordes, com inflação na meta e expectativa de queda da Selic em março, enquanto mercados emergentes se beneficiam do fluxo global

Trump participa de um briefing à mídia para marcar o primeiro ano de seu segundo mandato
Trump participa de um briefing à mídia para marcar o primeiro ano de seu segundo mandato  • REUTERS/Nathan Howard
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A bolsa de valores brasileira atingiu um novo recorde histórico nesta semana, ultrapassando pela primeira vez o patamar de 183 mil pontos.

O movimento ocorre em meio a uma forte entrada de capital estrangeiro no país e queda significativa do dólar, fenômenos impulsionados por uma recomposição das carteiras globais que tem beneficiado mercados emergentes.

A inflação brasileira, medida pelo IPCA-15 de janeiro, desacelerou para 0,20%, abaixo dos 0,25% registrados em dezembro. No acumulado de 12 meses, o índice está em 4,5%, exatamente no teto da meta estabelecida pelo Banco Central.

Entre os itens que mais pressionaram a inflação estão os alimentos e bebidas, que voltaram a subir após sete meses consecutivos de queda, com destaque para tomate, batata inglesa, frutas e carnes. Também houve aumento expressivo em planos de saúde e artigos de higiene pessoal.

Impacto das políticas de Trump no cenário global

O enfraquecimento do dólar frente às principais moedas do mundo, incluindo as de países emergentes, tem sido atribuído em grande parte às políticas e à instabilidade provocada por Donald Trump.

Rita Mundim, comentarista econômica, explica que "o que está acontecendo é uma perda de hegemonia americana em relação a ser o centro financeiro do planeta, pelo medo e pela instabilidade provocada por Donald Trump em nível local nos Estados Unidos e em nível global".

Os números comprovam essa mudança de fluxo global: enquanto o S&P 500 americano subiu apenas 1%, bolsas de países emergentes registraram valorizações expressivas em dólar: Colômbia (24%), Brasil (15%), Chile (14%) e México (10%).

Além disso, o volume de negociações na B3 saltou de patamares de 15-20 bilhões para valores consistentemente acima de 30-35 bilhões de reais.

Perspectivas para a economia brasileira

Com a expectativa de que o Banco Central inicie um ciclo de corte de juros em março, mantendo ainda assim a Selic em patamares elevados próximos a dois dígitos até o final do ano, o Brasil continua atrativo para investidores estrangeiros.

O tripé formado por Petrobras, Vale e grandes bancos tem sido o principal destino desses recursos.

No entanto, especialistas alertam para os desafios fiscais do país, especialmente em um ano eleitoral. "Nossos problemas estão aí. O Banco Central deve apontá-los no comunicado, na ata.

Estamos em ano eleitoral e não é perfil desse governo fazer política fiscal restritiva", pondera Mundim. A combinação entre política monetária e fiscal será crucial para que a inflação convirja para o centro da meta de 3%.

O cenário para os próximos meses indica que, apesar do momento positivo, o mercado brasileiro deve enfrentar volatilidade com a proximidade das eleições municipais e a divulgação de dados fiscais que podem trazer à tona preocupações sobre a sustentabilidade das contas públicas a longo prazo.

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