Trump enfraquece dólar e bolsas emergentes agradecem
Bolsa brasileira renova recordes, com inflação na meta e expectativa de queda da Selic em março, enquanto mercados emergentes se beneficiam do fluxo global

A bolsa de valores brasileira atingiu um novo recorde histórico nesta semana, ultrapassando pela primeira vez o patamar de 183 mil pontos.
O movimento ocorre em meio a uma forte entrada de capital estrangeiro no país e queda significativa do dólar, fenômenos impulsionados por uma recomposição das carteiras globais que tem beneficiado mercados emergentes.
A inflação brasileira, medida pelo IPCA-15 de janeiro, desacelerou para 0,20%, abaixo dos 0,25% registrados em dezembro. No acumulado de 12 meses, o índice está em 4,5%, exatamente no teto da meta estabelecida pelo Banco Central.
Entre os itens que mais pressionaram a inflação estão os alimentos e bebidas, que voltaram a subir após sete meses consecutivos de queda, com destaque para tomate, batata inglesa, frutas e carnes. Também houve aumento expressivo em planos de saúde e artigos de higiene pessoal.
Impacto das políticas de Trump no cenário global
O enfraquecimento do dólar frente às principais moedas do mundo, incluindo as de países emergentes, tem sido atribuído em grande parte às políticas e à instabilidade provocada por Donald Trump.
Rita Mundim, comentarista econômica, explica que "o que está acontecendo é uma perda de hegemonia americana em relação a ser o centro financeiro do planeta, pelo medo e pela instabilidade provocada por Donald Trump em nível local nos Estados Unidos e em nível global".
Os números comprovam essa mudança de fluxo global: enquanto o S&P 500 americano subiu apenas 1%, bolsas de países emergentes registraram valorizações expressivas em dólar: Colômbia (24%), Brasil (15%), Chile (14%) e México (10%).
Além disso, o volume de negociações na B3 saltou de patamares de 15-20 bilhões para valores consistentemente acima de 30-35 bilhões de reais.
Perspectivas para a economia brasileira
Com a expectativa de que o Banco Central inicie um ciclo de corte de juros em março, mantendo ainda assim a Selic em patamares elevados próximos a dois dígitos até o final do ano, o Brasil continua atrativo para investidores estrangeiros.
O tripé formado por Petrobras, Vale e grandes bancos tem sido o principal destino desses recursos.
No entanto, especialistas alertam para os desafios fiscais do país, especialmente em um ano eleitoral. "Nossos problemas estão aí. O Banco Central deve apontá-los no comunicado, na ata.
Estamos em ano eleitoral e não é perfil desse governo fazer política fiscal restritiva", pondera Mundim. A combinação entre política monetária e fiscal será crucial para que a inflação convirja para o centro da meta de 3%.
O cenário para os próximos meses indica que, apesar do momento positivo, o mercado brasileiro deve enfrentar volatilidade com a proximidade das eleições municipais e a divulgação de dados fiscais que podem trazer à tona preocupações sobre a sustentabilidade das contas públicas a longo prazo.



