Análise: Mercado acompanha guerra com certo otimismo
Comentarista do CNN Money analisa impactos do conflito no Oriente Médio sobre preços dos combustíveis e destaca projeções do boletim Focus, que voltaram a subir

O mercado financeiro está acompanhando os desdobramentos da guerra no Oriente Médio com um olhar relativamente otimista, apesar da escalada nos preços do petróleo e seus impactos na economia global e brasileira.
A análise foi feita por Rita Mundim, que destacou que as projeções de inflação subiram pela quarta semana consecutiva no boletim Focus, divulgado pelo BC (Banco Central), chegando agora a 4,36%.
Segundo Mundim, o otimismo do mercado está relacionado às frequentes menções sobre possíveis acordos de cessar-fogo.
"O mercado está acompanhando a guerra, mas acompanhando com um olhar, até certo ponto, otimista.Porque a gente tem sempre menções sobre acordo, em cessar-fogo, em fim do conflito em quatro, cinco semanas", explicou.
No entanto, ela alerta: "O tempo está passando e o preço do barril de petróleo não volta. Pelo contrário, ele só escala".
Impactos no setor de combustíveis
O conflito no Oriente Médio representa uma grave crise energética, considerando que passam pelo Estreito de Ormuz cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo.
Mundim ressaltou que "estamos vivendo a pior crise de energia do século" e que o conflito impacta toda a logística de commodities, especialmente o petróleo.
Insegurança jurídica e risco de desabastecimento
A comentarista alertou para o risco de desabastecimento caso não haja um entendimento sobre a escalada dos preços do petróleo.
"Desde 27 de fevereiro, véspera do início do confronto, os preços já subiram mais de 50%. Então isso ou é repassado ou é subvencionado", afirmou.
A situação é agravada pela insegurança jurídica que as distribuidoras enfrentam. Segundo Mundim, as empresas alegam que ainda estão na justiça tentando receber subvenções concedidas em 2018.
Dependência do modal rodoviário
O Brasil é particularmente vulnerável a essa crise por sua dependência do modal rodoviário.
"O Brasil movimenta 90% das pessoas, a logística, pelo modal rodoviário. E 70% das mercadorias", destacou Mundim, enfatizando que o país depende fortemente de diesel e gasolina.
A produção de petróleo no Oriente Médio já sofreu uma redução entre 30% e 40%, o que agrava ainda mais a crise.
"E mesmo assim, produz, mas não tem como passar por Ormuz, como é que fica? O preço escala", concluiu Mundim.



