Rita Mundim
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Rita Mundim

A comentarista de economia da CNN é especialista em Mercado de Capitais pela UFMG e em Ciências Contábeis pela FGV. Em 2024, ganhou o prêmio de Influenciadora Coop da Organização das Cooperativas Brasileiras.

Análise: Alternância de poder precifica mercado financeiro

Rita Mundim avalia que mercado reprecifica ativos diante da possibilidade de mudança no cenário político brasileiro

O Ibovespa renovou seu recorde histórico e fechou aos 206 mil pontos na segunda-feira (5), impulsionado pela forte reação dos mercados ao resultado do primeiro turno das eleições no Brasil.

A movimentação expressiva dos ativos financeiros reflete, segundo análises, uma mudança nas expectativas em relação ao cenário político e econômico do país.

Em entrevista ao CNN Money, Rita Mundim avaliou que o movimento observado nos mercados não se trata de especulação, mas de uma reprecificação dos ativos. "Olha, Estevam, é reprecificação. Resta saber se essa reprecificação vai continuar", afirmou.

Segundo a analista, para que o movimento se sustente, é necessário que o favoritismo de Flávio Bolsonaro seja mantido nas pesquisas de opinião. Rita citou ainda uma projeção da Eurásia, que elevou para 70% a chance de eleição do candidato.

Juros futuros e câmbio reagem com força

Entre os indicadores que mais se destacaram no pregão, Rita Mundim apontou a valorização do real frente ao dólar, que chegou a se aproximar de 5%, e a forte queda dos juros futuros.

"Os juros futuros estão sendo reprecificados de forma muito agressiva", disse. Segundo ela, as projeções para 2026 recuaram 0,75 ponto percentual para o fim do ano. Para 2027, a projeção caiu para 6%, enquanto para 2028 chegou a 8%.

"Quanto mais longa é a curva, maior é a projeção de queda nos juros", destacou.

Rita também mencionou um relatório do JP Morgan que recomendou a compra de ativos brasileiros. Segundo ela, o banco avalia que as posições no Brasil devem ficar acima da média, com potencial de valorização de 20% no principal índice de ações brasileiras, o MSCI.

"É muita coisa", comentou a analista, ressaltando a dimensão do movimento observado nos mercados.

Economia como fator decisivo para o eleitor

Questionada sobre o impacto da economia na escolha dos eleitores no primeiro turno, Rita Mundim avaliou que medidas como o reajuste do Bolsa Família ainda não chegaram ao bolso do trabalhador. Além disso, segundo ela, o efeito da isenção do Imposto de Renda anunciada no início do ano foi anulado pela inflação e pelas taxas de juros.

"A taxa de juros transformou a vida das famílias no inferno, no inferno da inadimplência, no inferno do endividamento", afirmou.

A analista citou ainda dados que, segundo ela, mostram a pressão financeira sobre famílias e empresas: mais de 9 milhões de CNPJs endividados, 84,8% das famílias de baixa renda com dívidas e 82% das famílias brasileiras comprometendo mais de 80% da renda com obrigações financeiras. Desse total, 18% estão inadimplentes e 38% acumulam atrasos superiores a 90 dias.

"Estamos convivendo com a falência de um modelo que não entregou crescimento sustentável", concluiu Rita Mundim.

Para a analista, a possibilidade de alternância de poder trouxe uma nova perspectiva para os investimentos no Brasil, especialmente diante da expectativa de queda dos juros.

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