Análise: Lula acena ao centro e promete mudar governo
Afago a Alckmin em discurso da vitória reforça sinalização de diálogo para mandato
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) saiu da eleição prometendo mudanças na forma de governar.
Ao abrir espaço para Geraldo Alckmin falar primeiro na celebração da vitória, neste domingo (25), o presidente sinaliza apoio a uma aliança maior com o centro.
“Essas eleições me ensinaram muita coisa. Eu posso garantir para vocês que nós vamos mudar o jeito de governar o país", afirmou Lula.
No discurso, o presidente associou a mudança a aumentar a participação popular nas decisões e à comunicação direta com a população.
Prometeu dar mais espaço ao ambiente digital e manter contato frequente com os brasileiros pelas redes sociais.
O compromisso de mudança ocorre depois de uma campanha em que o próprio Lula reconheceu problemas de organização. Após o primeiro turno, o presidente reforçou a coordenação com Camilo Santana, Rafael Fonteles e Rui Costa.
Esse rearranjo se soma às críticas ao isolamento do presidente, que já haviam aparecido em momentos de dificuldade na relação com o Congresso. A rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal, por exemplo, foi apontada como sinal da distância entre o Planalto e setores que Lula precisava atrair para sua base.
Dar mais espaço a Alckmin pode ajudar nessa interlocução. A trajetória do vice oferece ao presidente um canal de diálogo com setores moderados e com grupos que mantêm resistência ao PT. A dimensão dessa participação dependerá, porém, das funções que Lula lhe atribuir e da composição da equipe. Uma ala do governo defende Alckmin na Fazenda. A pasta também tem sido cotada para Rafael Fonteles.
Do outro lado, dirigentes de partidos de centro já defendem que o presidente aproveite o início do mandato para buscar pacificação e apresentar medidas de controle das contas públicas. A disposição para negociar participação no governo vem acompanhada de cobranças sobre um ajuste fiscal.
A montagem do ministério e as primeiras negociações com o Congresso mostrarão se a promessa feita na noite da vitória será cumprida, e o espaço de Alckmin será um dos indicadores dessa mudança.



