Tainá Falcão
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Tainá Falcão

Jornalista, poetisa, mulher nordestina, radicada em Brasília com passagem por SP. Curiosa. Bicho de TV. Informa sobre os bastidores do poder

Campanha de Augusto Cury vê “bolha furada” após avanço em pesquisas

Equipe do candidato ao Planalto aposta em estratégia digital para alcançar mais eleitores

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A campanha de Augusto Cury (Avante) avalia que o bom desempenho do candidato à Presidência em pesquisas divulgadas nesta segunda (31) significa que ele conseguiu “furar a bolha” e tornar-se conhecido por uma parte do eleitorado.

À CNN, o marqueteiro de Cury, Sérgio Lima, disse que o crescimento já era esperado internamente.

“Trabalhamos para tirar o Cury da bolha política e levar a mensagem a quem não discute eleição. Os dados digitais confirmaram a virada antes do instituto. Furamos a bolha, e o número veio atrás.”

Na pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada nesta segunda-feira (31), Cury chegou a 7,8% das intenções de voto, ante 1,6% no levantamento anterior.

Segundo a pesquisa Nexus/BTG, o escritor chegou a 11% das intenções de voto e se tornou o primeiro candidato da chamada terceira via a alcançar dois dígitos.

A avaliação dentro da campanha é de que o crescimento teve resultado a partir de uma sequência de episódios que ampliaram a exposição do candidato.

Um primeiro movimento ocorreu com as críticas de Cury à entrevista do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Record no mesmo dia do debate da Band — além do próprio desempenho de Cury no primeiro debate presidencial.

A partir daí, a orientação foi estimular a produção e a distribuição de conteúdo em perfis menores de influenciadores que já haviam declarado voto no candidato.

Integrantes da área de marketing rebatem rumores que Cury teria comprado seguidores nas redes e dizem que, para produzir artificialmente o crescimento registrado nas buscas pelo nome de Cury, seria necessário ser “o maior hacker do mundo para manipular o Google”.

A campanha afirma ainda ter investido apenas cerca de R$ 50 mil em impulsionamento na Meta — empresa responsável pelo Facebook e pelo Instagram.

O marketing também avalia que ataques feitos por adversários acabaram ajudando a candidatura ao levar o nome de Cury para públicos que ainda não estavam diretamente expostos a ele.

Levantamento da Vox Radar publicado pela CNN mostrou que, depois do debate, Cury foi o candidato que mais cresceu em seguidores e buscas.

O perfil do escritor no Instagram avançou 19,4%, de cerca de 8,3 milhões para 9,9 milhões de seguidores. As buscas pelo nome do candidato cresceram 900% durante a semana.

A campanha identifica no antipetismo e no antibolsonarismo uma oportunidade para se apresentar como alternativa aos dois polos e, mais adiante, disputar o chamado voto útil de eleitores insatisfeitos com Lula e Flávio Bolsonaro (PL).

A leitura de especialistas ouvidos pela CNN é de que o candidato começou a atrair uma parcela do eleitorado que estava com Lula ou Flávio por rejeitar um ou outro.

Já dirigentes das campanhas adversárias tratam a alta como um possível “voo de galinha” e avaliam que as próximas pesquisas serão importantes para mostrar se Cury, realmente, conseguiu construir uma base eleitoral própria.