Campanha de Lula reage com surpresa e mede desgaste do caso Marcola
Ex-chefe de gabinete da Presidência diz ter recebido empréstimo de empresária envolvida em escândalo do INSS e amiga de Lulinha
A investigação da Polícia Federal sobre o ex-chefe de gabinete da Presidência Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, gerou consternação na campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que ainda avalia os desgastes provocados pelo caso e estuda como reagir.
Coordenadores dizem não ter tido conhecimento prévio do pagamento da empresária Roberta Luchsinger, apontada como uma das operadoras do esquema de fraude do INSS, a Marcola.
A informação veio à tona, nesta segunda (4), em meio à a análise das quebras de sigilo bancário e financeiro da operação Sem Desconto.
A PF identificou transferências feitas por Luchsinger para Marcola quando a empresária já era investigada no inquérito pela ligação com Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”
Marcola enviou uma nota à CNN em que afirma que o empréstimo foi regular, já foi quitado e que nunca praticou qualquer ilegalidade no exercício da função.
Ele não explica, porém, a razão de ter buscado Roberta Luchsinger para obter os recursos.
Nesta terça (5), o núcleo duro da campanha ainda discutia a repercussão do caso e afirmava desconhecer a possibilidade de o presidente ter sido alertado antes sobre o empréstimo.
Marcola, um dos assessores mais próximos do presidente Lula, ficou no cargo de chefe de gabinete pessoal durante todo o atual governo e deixou o posto no dia 21 de julho deste ano.
Oficialmente, foi informado que o motivo era reforçar a campanha à reeleição de Lula, mas fontes relataram à CNN que o real motivo foi a descoberta desses pagamentos.
Nos bastidores, auxiliares da campanha de Lula reconhecem que a permanência do ex-assessor pode se transformar em um foco de desgaste a depender da evolução do caso.
Apesar da preocupação, a orientação entre integrantes da campanha é aguardar o avanço das investigações antes de qualquer decisão sobre o papel de Marcola na equipe eleitoral. A discussão sobre a situação do ex-braço direito de Lula deve passar pelo presidente.



