Tainá Falcão
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Tainá Falcão

Jornalista, poetisa, mulher nordestina, radicada em Brasília com passagem por SP. Curiosa. Bicho de TV. Informa sobre os bastidores do poder

Crises reacendem temor no Planalto de interferência externa nas eleições

Tarifaço de Trump e ataques de Milei dão novo fôlego ao discurso de soberania de Lula

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Após manifestações do presidente argentino Javier Milei, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a compartilhar com seu entorno o discurso de receio sobre uma suposta interferência externa nas eleições de outubro.

Integrantes do governo avaliam à CNN que a preocupação maior está na combinação de discurso de líderes de direita global à dificuldade de remoção de conteúdos em plataformas digitais, o que, na visão do Planalto, poderia influenciar o ambiente interno durante a campanha. A avaliação é de que, dificilmente, haverá freio em mensagens capazes de, por exemplo, produzir desconfiança sobre as urnas eletrônicas antes que a justiça eleitoral possa reagir.

As declarações de Javier Milei contra Lula reforçaram o discurso do Planalto de preocupação. O presidente argentino voltou a fazer críticas ao governo e concedeu entrevistas à imprensa argentina durante sua passagem pelo Brasil. Ele chamou Lula de “ex-presidiário” e Alexandre de Moraes de “lixo”.

Ao ser questionado pela imprensa, após o episódio, Lula respondeu de forma irônica: “Quem é esse cara?”, frase que se tornou um dos símbolos da deterioração da relação entre os dois presidentes.

No campo político-partidário, PT, PV e PCdoB protocolaram representação junto à PGR (Procuradoria-Geral da República) pedindo apuração sobre a vinda de Milei ao Brasil. Os partidos sustentam que a visita teve caráter político-eleitoral e argumentam que é necessário esclarecer de que forma ela pode afetar o processo eleitoral brasileiro, além de identificar quais recursos foram utilizados na agenda do presidente argentino.

Nos bastidores do governo, o episódio é visto como mais um elemento de um cenário que já vinha sendo desenhado após as novas tarifas dos Estados Unidos ao Brasil.

Na última sexta-feira (24), o Ministério das Relações Exteriores também negou pedidos de visto a dois funcionários do governo Donald Trump que visitariam o Brasil como observadores das eleições. Para o Itamaraty, os americanos planejavam um ataque à confiabilidade das urnas e do sistema eleitoral.