Debate no Ceará tem "Cironaro" e "muleta" de Lula
Elmano busca nacionalizar confronto, enquanto Ciro mantém distância de Lula e Bolsonaro

No primeiro debate como candidatos ao governo do Ceará neste domingo (9), Ciro Gomes (PSDB) e Elmano de Freitas (PT) deixaram claro que têm estratégias diferentes para o confronto nas urnas.
O petista buscou nacionalizar a eleição e colar no adversário a pecha de bolsonarista. Ao se referir a Ciro como "Cironaro", Elmano demonstrava que usaria na disputa estadual vantagens que enxerga em ser um candidato com palanque à Presidência.
Ciro Gomes nem criticou diretamente o presidente tampouco fez a defesa de Jair Bolsonaro e aliados (PL). A estocada foi direcionada a Elmano, buscando voltar o debate às questões e diferenças locais.
Ao dizer que Elmano precisa da "muleta" de Lula para tentar vencer as eleições, Ciro procurou dividir a opinião do eleitor, entre o que é a popularidade do presidente no Ceará e o que tem sido o trabalho de Elmano.
O governador insistiu no movimento contrário, defendendo que seu grupo é "do time que vota em Lula", que abriga, inclusive, Cid Gomes (PSB), irmão de Ciro, a quem se refere como "meu candidato ao Senado". A lógica de apostar na divisão familiar é implicar a Ciro a imagem de isolamento.
Entre os assuntos do debate, a seara da segurança pública foi a mais ruidosa com críticas de Ciro à capacidade do governo do Ceará de investigar crimes e enfrentar as organizações criminosas.
Para ele, o problema está em deficiências sobre a inteligência policial. O ex-governador afirmou que a estrutura no estado é frágil e pouco conectada às tecnologias mais sofisticadas no mundo.
Elmano rebateu com uma resposta que, em certa medida, devolve a Ciro a responsabilidade pelo problema: afirmar que o Comando Vermelho chegou ao Ceará em 1993, quando Ciro era governador.
Ao fim, o debate deixou paralelas duas eleições possíveis no Ceará: uma está nacionalizada, com Elmano e Lula; outra tem Ciro e sua própria biografia.



