Tainá Falcão
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Tainá Falcão

Jornalista, poetisa, mulher nordestina, radicada em Brasília com passagem por SP. Curiosa. Bicho de TV. Informa sobre os bastidores do poder

Análise: Lula calibra retórica ao buscar protagonismo na crise da Venezuela

Presidente brasileiro publicou artigo no jornal norte-americano The New York Times

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Ao refletir sobre a escalada da crise na Venezuela, em artigo publicado no The New York Times, neste domingo (18), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) traz um recado com potencial de produzir mais efeitos retóricos do que impactos sobre a estratégia internacional do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

A aproximação de Lula com o ditador venezuelano Nicolás Maduro permitiu ao presidente brasileiro posicionar-se como espécie de mediador de uma suposta transição de poder no país vizinho diante de uma controversa eleição contestada internacionalmente.

A investida de Lula serviu para lhe apresentar um “rebranding” a partir de ações pragmáticas. À época, demonstrou uma distância crítica a Maduro, sem entrar em um confronto direto com o regime chavista.

Com os Estados Unidos, a estratégia de permanece. Neste artigo recente, o presidente brasileiro não denomina a ação militar como “invasão”, mas refere-se aos “bombardeios” e à captura - não ao sequestro - do líder venezuelano, mesma denominação utilizada pela Casa Branca.

Lula discutiu a situação venezuelana em um telefonema com Donald Trump e fez questão de divulgá-lo. Assim, acendeu a ideia de que o Brasil não estava inerte à situação, mesmo que não tenha tido força para alterar a estratégia de Trump.

Ao prometer trabalhar com o povo venezuelano “para proteger os mais de dois mil quilômetros de fronteira” compartilhada e, ao mesmo tempo, empenhar-se em um “diálogo construtivo” com Washington, o presidente se equilibra em duas prioridades: a defesa da soberania dos povos e a manutenção da via diplomática como alternativa aos conflitos.

Diferentemente do episódio conhecido como “tarifaço”, quando Lula adotou uma postura mais agressiva sobre a investida americana, a crise venezuelana segue um roteiro distinto, em que os Estados Unidos já executaram uma ação direta contra Maduro e as forças remanescentes do regime sinalizam para uma negociação com Washington.

Ao propor um caminho de diálogo para uma saída, aparentemente, em andamento entre as partes envolvidas, Lula escolhe o que parece uma via segura para se manter em evidência sem a responsabilidade de entregar resultado.