Tainá Falcão
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Tainá Falcão

Jornalista, poetisa, mulher nordestina, radicada em Brasília com passagem por SP. Curiosa. Bicho de TV. Informa sobre os bastidores do poder

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Brasil evita mexer em declaração final do G20, apesar de reclamações

Texto está pronto desde domingo, mas países pedem mudanças

Cúpula do G20 acontece na cidade do Rio de Janeiro entre os dias 18 e 19 de novembro  • Fernando Frazão/Agência Brasil
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O governo brasileiro ainda busca convencer países sobre consenso em torno da declaração final do G20, que será apresentada a líderes internacionais nesta terça-feira (19), no Rio.

A diplomacia brasileira alega que o texto está fechado desde domingo (17) pelos negociadores dos países, -- conhecidos como "sherpas" -- e não deverá passar por uma nova avaliação mesmo diante de pedidos sobre pontos específicos, a exemplo do trecho que trata das guerras entre Rússia e Ucrânia e no Oriente Médio.

Segundo fontes do Itamaraty, países aliados a Kiev pediram a reconsideração após os ataques da Rússia à rede elétrica da Ucrânia.

O detalhe, segundo esses interlocutores do governo, está na linguagem do texto, por isso, a palavra "guerra" não deve ser mencionada, mas substituída pelo termo "conflito".

Outros países pediram reconsiderações sobre o clima, para que haja convergência entre o que virá no texto e o que sairá da COP29, no Arzebaijão.

Anteriormente, ministros do G20 chegaram a discutir o assunto em minúcias, com propostas que previram triplicar energia renovável e atingir neutralidade de emissões de gases. A declaração, no entanto, deve adotar um tom mais genérico sobre o assunto. Países do G7 reivindicam que grandes países emergentes arquem com custos de mudanças climáticas, o que estava concentrado em países ricos.

A igualdade de gênero e taxação dos super-ricos são outros dois assuntos alvo de questionamentos. A Argentina foi, pelo menos até agora, contra políticas de igualdade de gênero defendidas pelo Brasil e se recusou a assinar documento prévio sobre o tema em específico.

A taxação dos super-ricos é um tema que contraria os argentinos, especialmente, depois da eleição de Trump. O governo de Milei havia concordado, mas recuou. Ainda há dúvidas sobre como o assunto virá na declaração final, durante das resistências do país vizinho.