Brasil vê "página virada" em caso de suposta espionagem contra Paraguai
Presidente não pretende abordar assunto, mas deve reafirmar posição do governo, caso seja indagado

Às vésperas de uma reunião prevista entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Paraguai, Santiago Peña, o governo brasileiro avalia como “página virada” o caso sobre uma suposta espionagem da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) contra o governo paraguaio.
A avaliação de interlocutores de Lula é de que ele não deve abordar o assunto em conversa reservada com Peña, mas estará pronto para reafirmar a posição do país, caso seja perguntado.
Como adiantou a CNN, Lula deve tomar um café da manhã com o chefe de Estado do Paraguai nesta quinta-feira (3), em Buenos Aires. Os dois estarão na Argentina para participar da cúpula do Mercosul.
Para interlocutores de Lula, o foco deve estar na bilateral e não no caso de espionagem, que consiste em uma suposta operação voltada à invasão de computadores do Paraguai, ainda no final do governo de Jair Bolsonaro (PL), mas continuada na gestão petista, com atuação do atual diretor-geral da Abin, Luiz Fernando Corrêa.
O Paraguai considerou a ação de inteligência como uma intromissão nos assuntos internos.
Em nota, o governo brasileiro afirmou que a operação havia sido autorizada em junho de 2022, no governo Bolsonaro, mas foi deixada sem efeito assim que a atual administração tomou conhecimento do caso.
Para interlocutores de Lula, as explicações deixam claro que o problema foi gestão no governo passado. A gestão atual diz que, além de uma postura errática, a suposta investigação seria inócua.



