Câmara avalia retirar cassação de Ramagem de pauta após revés com Zambelli
Eduardo Bolsonaro deve ser cassado na próxima semana por faltas
A decisão de Alexandre de Moraes sobre a cassação do mandato da deputada Carla Zambelli (PL-SP) deixou a Câmara dos Deputados desnorteada sobre os próximos processos de perda de mandato em curso na Casa.
Essa é a avaliação de parlamentares no entorno do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), de que outro embate com o Supremo pode resultar em mais derrotas e aprofundar a crise entre os poderes.
Na última quarta-feira (10), Zambelli conseguiu manter o mandato de deputada, mesmo presa na Itália e com processo contra ela transitado em julgado. A decisão foi interpretada por aliados e críticos como um sinal de desgaste do presidente Hugo Motta.
Agora, deputados próximos a Hugo defendem retirar o caso de Ramagem da pauta da próxima semana. Para eles, um recuo de Hugo seria melhor do que um novo revés que exponha a Casa e o coloque em atrito com o plenário e com o Supremo.
A análise é de que, por se tratar de um parlamentar também condenado em sentença criminal, Ramagem terá o mesmo destino de Zambelli, caso o plenário decida salvá-lo.
Alguns líderes defendem até que Hugo deixe a decisão de Eduardo Bolsonaro para fevereiro, no início do próximo ano legislativo, mas o presidente da Câmara já comunicou a membros da Mesa Diretora que deve seguir com a cassação, já que Eduardo atingiu o número de faltas permitidas pelo plenário. A cassação de Eduardo não precisa do aval do plenário.
Portanto, a próxima semana na Câmara será decisiva para a relação entre Legislativo e Judiciário, enquanto o caso Eduardo Bolsonaro caminha para a perda automática do mandato, a situação de Ramagem deve ser impactada pelo receio de que a Casa repita um resultado desfavorável que fragilize ainda mais a liderança de Motta.



