Câmara quer separar caso Zambelli de caso Ramagem
Cúpula aponta dificuldades de repetir roteiro para deputada
A cúpula da Câmara dos Deputados ainda levanta dúvidas sobre o destino que dará a deputada Carla Zambelli (PL-SP), condenada a dez anos de prisão por invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e inserção de documentos falsos.
A deputada, que também perde o mandato automaticamente, ainda poderá ser salva pelos colegas, caso a maioria decida pelo trancamento do processo.
A situação é semelhante a de Alexandre Ramagem (PL-RJ), que garantiu apoio de 305 deputados para suspender a ação penal contra ele sobre a trama golpista.
A decisão de reverter parcialmente o entendimento da Casa Legislativa contrapõe os Poderes. E o PL, partido de Bolsonaro, espera que o mesmo tratamento seja dado a Zambelli.
Agora, cabe ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), remeter o pedido do PL à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e designar um relator. Apesar de considerada mais fácil a situação de Zambelli, que cometeu crime após diplomação, a personagem não conta com a mesma boa vontade dos pares.
Sob reserva, membros da mesa diretora entendem que o histórico de enfrentamento de Zambelli ao Supremo pode esticar demais a corda. Isso porque ministros da Corte já dizem compreender a investida de Motta sobre Ramagem como uma reação política e de unidade junto à Casa.
Líderes comparam a parlamentar ao deputado Glauber Braga (PSOL-RJ), que enfrenta processo de perda de mandato sob influência de histórico de desentendimentos na Casa.
Bem diferente é a situação de Juscelino Filho (União Brasil-MA), ex-ministro das Comunicações, denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
O União Brasil avalia pedir à Câmara para sustar ação penal contra o deputado, que pelo bom trânsito, e com a benção do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), deverá contar com a solidariedade da maioria.



