Tainá Falcão
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Tainá Falcão

Jornalista, poetisa, mulher nordestina, radicada em Brasília com passagem por SP. Curiosa. Bicho de TV. Informa sobre os bastidores do poder

Deputados defendem gabinete de crise após decisão de Moraes sobre Zambelli

Parlamentares pressionam Hugo Motta para que discuta caso com Lula e Fachin

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal)  • Rosinei Coutinho/STF
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Deputados próximos ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), passaram a defender a criação de uma espécie de gabinete de crise após a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que anulou a votação da Câmara dos Deputados a favor da manutenção do mandato da deputada Carla Zambelli (PL-SP).

Os parlamentares defendem que Hugo tome a iniciativa de procurar, pessoalmente, Edson Fachin, presidente do Supremo, e até o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A avaliação é de que, após o revés no Supremo, a Câmara precisa recalibrar outras decisões sensíveis, a exemplo da cassação dos mandatos do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e Alexandre Ramagem (PL-RJ).

No caso de Eduardo, a Mesa Diretora já foi informada que a decisão será tomada na próxima semana, após prazo de cinco dias dado à defesa do parlamentar.

Já em relação a Ramagem, a Comissão de Constituição e Justiça precisa deliberar antes de encaminhar ao plenário. A ideia seria suspender o procedimento e esperar a cassação por ausência. Nos dois casos, porém, a decisão ficaria para 2026.

Aliados de Hugo sustentam que o Legislativo precisa evitar novos confrontos diretos com o Judiciário sob o risco de maior exposição à Casa. Sob reserva, até mesmo líderes que orbitam Hugo, avaliam que houve um erro de estratégia do presidente da Câmara ao decidir levar para o plenário as cassações de Glauber Braga e Zambelli

A orientação do grupo que conversa com Hugo Motta tem sido manter o foco na votação do Orçamento, considerado um assunto “neutro”, para encerrar o ano legislativo sem novos arroubos.

A pressão sobre Hugo ganha força depois de uma semana em que líderes classificam como a mais errática de 2025.

Primeiro, a Casa foi surpreendida pela reviravolta na votação do mandato de Glauber Braga e a manutenção do mandato de Carla Zambelli, ambos por insuficiência de votos. Antes, a aprovação do projeto da Dosimetria, que beneficia o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), já havia gerado ruídos internamente, já que o assunto foi levado a voto sem conhecimento de líderes e do governo.

O gabinete de crise, defendido por deputados próximos a Hugo Motta, seria uma forma de baixar a temperatura, reorganizar prioridades e evitar novas derrotas. Apesar da pressão, Hugo ainda não deixou claro se atenderá a mudança de rota proposta pelo entorno.