Eleição no TCU é vista como teste de força de Hugo na Câmara
Candidatos passam hoje por sabatina; Odair Cunha, do PT, é o mais cotado

A disputa pela vaga deixada pelo ministro Aroldo Cedraz, no TCU (Tribunal de Contas da União), é vista como um teste de força do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).
Diante de uma eleição pulverizada, com sete candidatos, o deputado Odair Cunha (PT-MG) é considerado favorito, com apoio de 12 partidos e cerca de 200 votos, em um cenário otimista, segundo líderes.
Odair tem evitado fechar um cálculo sobre eleição com receio de que o resultado seja menos favorável. Como o voto é secreto, vale a máxima de que a traição é iminente. Outra preocupação do grupo de Hugo é com a possibilidade de candidatos do centrão se unirem de última hora para derrotar o PT.
Com tantas incertezas, o presidente da Câmara dedicou o final de semana às articulações e convocou líderes a desembarcarem em Brasília para o que definiram como uma “blitz” em seus respectivos partidos.
Apesar da resistência história em apoiar um candidato petista, a candidatura de Odair parece ser um ponto fora da curva até aqui.
A escolha dele faz parte de um acordo construído entre Hugo e o ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL), no momento em que o PT decidiu apoiar Hugo Motta para o comando da Casa. Com Lira submerso, a indicação virou um desafio ao sucessor.
Após uma série de embates com governo e oposição e alguns reveses no primeiro ano à frente da Câmara, a difícil missão de fazer de Odair o próximo ministro do TCU dá a Hugo a oportunidade de se fortalecer internamente.
É unânime a avaliação entre líderes que o um resultado positivo a Odair não será, necessariamente, a vitória de Lula ou do PT, mas o termômetro sobre a capacidade de liderança de Hugo e um voto de confiança para ser reencaminhado à Presidência em 2027.
Ao mesmo tempo em que a disputa também expõe uma fratura política entre deputados do centrão que antes orbitavam Hugo. Setores da direita e do centrão lançaram candidaturas alternativas, sinalizando resistência ao nome apoiado pelo PT e pelo comando da Câmara.
Além de Odair, entre os candidatos mais fortes destacam-se os deputados Hugo Leal (PSD-MG) e Danilo Forte (PP-CE), indicado pelo PSDB.
O PL de Jair Bolsonaro trocou a candidatura de última hora e sacrificou um aliado do ex-presidente, deputado Hélio Lopes (PL-RJ) para acomodar Soraya Santos (PL-RJ), que disputou a última eleição ao TCU.
Integrantes do PL dizem que uma candidatura feminina tem como estratégia marcar também uma posição eleitoral, com disputa de Flavio pelo voto feminino. Nos bastidores, há desconfiança de que a indicação de Soraya faz parte de um acordo com Hugo e o PT para assegurar a próxima vaga ao PL.
Caso o resultado pró-PT não se confirme, a leitura interna será de enfraquecimento do presidente da Câmara e incapacidade de seguir no comando da Casa.
Por outro lado, uma vitória de Odair Cunha tende a ser interpretada como demonstração de força e capacidade de comando no plenário da Casa, em um momento em que Hugo Motta busca apoio para consolidar uma marca a sua gestão.



