Entorno de Bolsonaro vê Cid “espremido” em interrogatórios do STF
No entorno do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), a expectativa para o início dos interrogatórios sobre o plano de golpe, nesta segunda-feira (9), recai sobre o tenente-coronel Mauro Cid, apontado como ponto-chave da trama, mas envolto em contradições. O militar já mudou pelo menos cinco vezes a versão sobre o plano de golpe, o que é visto como positivo por advogados de outros réus.
Para políticos próximos a Bolsonaro, Cid ficará “espremido” entre as perguntas de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e a defesa de outros envolvidos na investigação.
A intenção, segundo aliados, é buscar argumentos para contestar a delação de Cid, novamente, o que, na visão da defesa, beneficiaria Bolsonaro. Essa, pelo menos, deve ser a estratégia da defesa do ex-presidente e do ex-ministro Walter Braga Netto, que tentou anteriormente derrubar a delação de Mauro Cid.
Entre as contradições de Cid, está a menção a Braga Netto, que teria participado da reunião para promover o que chamou de “caos social” e o vazamento de áudios em que Cid sustenta estar sendo pressionado pela Polícia Federal para revelar “coisas que não aconteceram”.
Advogados de outros réus devem manter a linha de desqualificar Cid com acusações “abaixo da linha cintura”. Cid foi chamado de “mentiroso” durante a primeira fase do julgamento, referência que deverá ser mantida.
O ex-presidente passou o fim de semana em preparação para o julgamento com advogados e aliados. Ele se hospedou no Palácio dos Bandeirantes, a convite do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).


