Fazenda diz que faltou "responsabilidade" ao Senado
Durigan diz ter alertado sobre impacto bilionário de medidas aprovadas na quarta-feira
O avanço de propostas com forte impacto fiscal no Senado provocou reação negativa do Ministério da Fazenda.
Integrantes da equipe econômica dizem que faltou “responsabilidade” ao Senado de avançar com matérias que, segundo cálculos do governo, podem gerar impacto de até R$ 270 bilhões para as contas públicas em dez anos.
A defesa de Dario Durigan a aliados é que houve tentativa de negociação antes das votações. Como mostrou a CNN Brasil, Durigan reuniu-se, nesta terça-feira (9), com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para pedir que propostas consideradas mais sensíveis fossem retiradas da pauta.
Segundo relatos feitos à CNN Brasil, a Fazenda argumentou que o momento exige cautela diante do cenário fiscal e de incertezas econômicas internacionais. A avaliação do ministério era de que a aprovação das medidas poderia elevar a percepção de risco sobre a economia brasileira e aumentar a pressão sobre as contas públicas.
Nos bastidores, a percepção de auxiliares do ministro é que o Senado ignorou os argumentos técnicos apresentados pelo governo em detrimento de interesses eleitorais.
Auxiliares de Durigan resumem o episódio com uma expressão: o Senado “passou a boiada” sobre as preocupações da equipe econômica.
Entre as iniciativas que mais preocupam a equipe econômica está o projeto que amplia a renegociação de dívidas rurais, apontado pelo governo como uma das medidas de maior custo fiscal entre as aprovadas. A Fazenda também monitora projetos que criam ou ampliam pisos salariais e propostas que aumentam benefícios para categorias específicas.
Integrantes do governo creditam a investida de Alcolumbre à ruptura na relação com o presidente Lula. Como também mostrou a CNN Brasil, o Planalto tem atuado para viabilizar uma conversa entre os chefes de poderes nos próximos dias.
Apesar do desconforto, a estratégia da Fazenda não será recorrer ao Supremo Tribunal Federal neste momento para não inviabilizar uma costura com o Congresso.
Especificamente sobre o projeto que renegocia dívidas rurais, o esforço se voltará à Câmara dos Deputados, onde o governo acredita haver mais espaço para negociação com o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB).



