Tainá Falcão
Blog
Tainá Falcão

Jornalista, poetisa, mulher nordestina, radicada em Brasília com passagem por SP. Curiosa. Bicho de TV. Informa sobre os bastidores do poder

Governo brasileiro deve discutir Conselho de Paz de Trump com o Vaticano

Assunto deve ser abordado em conversas durante a celebração dos 200 anos do Brasil com a Santa Sé

Compartilhar matéria

Confiante em um movimento coordenado para responder ao presidente americano Donald Trump, o governo brasileiro deve discutir, reservadamente, com representantes do Vaticano, a criação de um Conselho de Paz para Gaza, iniciativa encabeçada por Donald Trump, presidente dos Estados Unidos.

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, deve se reunir, nesta quinta-feira (22), com cardeal Pietro Parolin, principal autoridade diplomática do Vaticano, durante a celebração dos 200 anos de relação Brasil e a Santa Sé.

Parolin confirmou a jornalistas que o papa Leão XIV está entre os líderes mundiais convidados a integrar o "Conselho de Paz".

A conversa faz parte de uma abordagem já iniciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e integrantes do Itamaraty com países convidados por Trump ao Conselho.

A ideia de uma resposta coordenada, em vez de uma posição unilateral do Brasil, tem sido vista como uma saída de reduzir riscos diplomáticos.

Uma conversa mais direta com os americanos deve ocorrer a partir da próxima semana, em que a diplomacia brasileira buscará detalhes sobre quais são objetivos do grupo, as condições para atuação de cada país, a definição sobre quem participa e os critérios para tomadas de decisões.

Ao menos 35 países já aceitaram integrar o Conselho de Paz, entre aproximadamente 50 convites enviados pela Casa Branca. O Palácio do Planalto minimizou a adesão à investida. Para auxiliares de Lula, a iniciativa não atraiu líderes de peso na política global, a exemplo de países do G7 como França, Reino Unido, Alemanha e Japão, que ainda não confirmaram o ingresso.

Como já informado pela CNN, o Itamaraty acredita que a participação do Brasil no grupo pode se sobrepor ao papel de mediador de conflitos da Organização das Nações Unidas.

Em Davos, ao discursar, Trump afirmou que o "Conselho de Paz pode se unir com a Organização das Nações Unidas". Antes, o presidente dos EUA chegou a sugerir que o Conselho poderia “substituir” ONU, o que agravou preocupação de países e especialistas.