Tainá Falcão
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Tainá Falcão

Jornalista, poetisa, mulher nordestina, radicada em Brasília com passagem por SP. Curiosa. Bicho de TV. Informa sobre os bastidores do poder

Governo Lula quer mecanismo para fiscalizar bets clandestinas

Medida retoma repasse de pagamentos com apostas ilegais a fundo voltado a segurança pública

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A AGU (Advocacia-Geral da União) e o Ministério da Justiça estudam medidas para impedir que a proibição das bets empurre as apostas para o mercado clandestino.

Uma das frentes em análise envolve o Banco Central e instituições do sistema financeiro. A proposta prevê a identificação de movimentações ligadas a operadores ilegais, o bloqueio de contas de usuários e, principalmente, o perdimento dos valores obtidos com a atividade.

O governo também avalia o uso de recursos tecnológicos e da estrutura de fiscalização da Anatel para dificultar o acesso a sites e aplicativos clandestinos.

No campo penal, a AGU discute, dentro de um projeto de lei, o aumento das penas aplicáveis à exploração ilegal de jogos e a criação de tipos específicos para quem promove ou lucra com a atividade.

Outro ponto sensível, ainda em aberto, diz respeito às autorizações concedidas pelo próprio governo para operação das Bets no país. A Fazenda concedeu essa autorização diante de um pagamento de R$ 30 milhões por uma outorga válida por até cinco anos.

Para a ala jurídica do governo, no entanto, o pagamento pela autorização não assegura às empresas o direito de continuar operando caso a atividade venha a ser proibida. Ou seja, para o governo, quem pagou pela outorga assumiu o risco de uma mudança nas regras.

A AGU também examina o tratamento dos ganhos de quem continuar apostando em plataformas ilegais, inclusive a possibilidade de perdimento desses valores em favor do Fundo Nacional de Segurança Pública. O alcance, porém, ainda está sendo discutido.

Atualmente, o procedimento de bloqueio e perdimento se dirige aos operadores irregulares, depende de decisão judicial para a perda definitiva dos valores e ressalva quantias devidas aos apostadores.

Lula indicou preferência por uma proibição que alcance apostas esportivas e cassinos on-line. O governo também discute uma versão mais restrita, voltada aos cassinos virtuais e à publicidade das apostas. Ainda não há texto final anunciado.