Governo teme interrupção de negociações em curso com os EUA

Integrantes do governo brasileiro -- sobretudo diplomatas e técnicos -- temem a interrupção das negociações que estavam em andamento sobre tarifas impostas previamente ao Brasil, diante da crise instaurada entre os dois países após aumento da taxação pelos Estados Unidos, nesta quarta-feira (9).
Neste momento, a sugestão do Itamaraty ao Palácio do Planalto é de cautela, a fim de evitar prejuízos ao Brasil. Na avaliação de auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) diretamente envolvidos nas negociações comerciais com os americanos, ainda não dá para medir o tamanho do prejuízo com o tarifaço.
A sugestão é "deixar a poeira baixar" e aguardar uma sinalização dos negociadores americanos. O governo trabalha com o prazo dado por Trump - até 1º de agosto -- para a aplicação efetiva das novas alíquotas anunciadas.
Entre as respostas previstas, como informado pela CNN, está acionar a OMC (Organização Mundial do Comércio), mas somente depois de transcorrido esse prazo. Nos bastidores, o governo admite que o movimento é apenas simbólico, sem resultado prático, pois a OMC está acéfala -- o órgão de solução de controvérsias está há anos sem juízes para deliberar os casos que chegam a Genebra.
Lula, em nota oficial, falou em retaliar os Estados Unidos com base na Lei de Reciprocidade Econômica, que permite reação a países ou blocos econômicos que adotem medidas unilaterais contra o Brasil. O presidente deve reforçar essa posição em pronunciamento previsto para esta semana.
Economistas consultados pela CNN alertam que a aplicação de medidas recíprocas pelo Brasil podem pressionar ainda mais os preços e os juros. Além de prejudicar mais o comércio brasileiro do que o americano.
Os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial do Brasil -- em importações e em exportações --, perdendo apenas para a China. Já o Brasil é apenas o nono país que mais importa produtos americanos e o 18º país que mais exporta.



