Tainá Falcão
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Tainá Falcão

Jornalista, poetisa, mulher nordestina, radicada em Brasília com passagem por SP. Curiosa. Bicho de TV. Informa sobre os bastidores do poder

Governo tenta trocar PL da Dosimetria por agenda econômica

Líder do governo teria dito que haveria um veto presidencial caso redução de penas fosse aprovada

O presidente do Senado Federal, senador Davi Alcolumbre (União-AP), e o senador Jaques Wagner (PT-BA)  • Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado
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Durante a votação desta quarta-feira (17) sobre o PL da Dosimetria na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado, parlamentares da base reagiram a uma sugestão dada pelo líder do governo, Jaques Wagner (PT), para apoiar a proposta do projeto que reduz penas de condenados pelo 8 de Janeiro, sob a justificativa de que haveria um veto presidencial.

Segundo relatos dados à CNN Brasil, Wagner teria justificado dizendo que a eventual rejeição do projeto geraria um risco de que o Senado votasse contra os projetos de incentivos tributários que foram aprovados na Câmara nesta terça-feira (16). Jaques Wagner estava na reunião ministerial convocada por Lula e, portanto, a desconfiança é de que o presidente possa ter dado aval para a negociação.

Após a conversa reservada com Jaques, o senador Renan Calheiros (MDB-AL) afirmou durante a sessão que houve uma reunião a portas fechadas para discutir o assunto.

"Há pouco, veio aqui o líder do governo no Senado Federal dizer a mim que concordava em deixar votar a matéria porque queria votar o PL que queria tratar das alíquotas de bets e de fintechs. Eu não concordo com isso. Isso é uma farsa, e eu não concordo com isso", afirmou.

A matéria deve ser votada ainda nesta quarta, após um pedido de vista de quatro horas. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) deixou a decisão a cargo do presidente da CCJ, segundo aliados, com total autonomia para conduzir os trabalhos. O compromisso de Davi com a Câmara dos Deputados é de votar a proposta ainda em 2025.

À CNN Brasil, a ministra Gleisi Hoffmann (PT) disse que o Planalto não negocia a dosimetria. Jaques Wagner também foi procurado, mas não respondeu. A reportagem já havia antecipado que o presidente Lula vetará o PL da Dosimetria, caso aprovado no Congresso.