Tainá Falcão
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Tainá Falcão

Jornalista, poetisa, mulher nordestina, radicada em Brasília com passagem por SP. Curiosa. Bicho de TV. Informa sobre os bastidores do poder

Hugo procura estreitar relação com Lula em 2026

Presidente da Câmara investe em relação amistosa com o Planalto em ano eleitoral

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O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), deve adotar em 2026 uma postura mais colaborativa em relação ao Palácio do Planalto. A mudança de tom ocorre em meio ao calendário eleitoral e reflete interesses políticos de ambos os lados, segundo avaliação de interlocutores de Hugo e do presidente Lula.

Em 2025, Hugo esteve no centro de embates relevantes com o governo. Um dos episódios mais emblemáticos foi a crise em torno do IOF, quando a Câmara rejeitou a elevação do imposto, impondo uma derrota expressiva ao Planalto. A controvérsia acabou sendo judicializada e a palavra final foi dada pelo STF (Supremo Tribunal Federal). No campo político, o governo reagiu com uma campanha pública contra o Congresso, personificada na figura do presidente da Câmara.

A estratégia de Hugo de priorizar uma agenda interna corporis, voltada a interesses parlamentares, acirrou o conflito e deu munição ao governo para estimular mobilizações contra o Legislativo, como nos debates sobre a PEC da Blindagem e o PL da Antifacção.

Até dezembro, a relação foi marcada por episódios de tensão. No final do ano, Hugo liderou a votação do PL da Dosimetria, que reduz penas de condenados pelos atos golpistas do oito de janeiro. A proposta foi vetada por Lula e ainda representa um potencial ponto de atrito na relação entre os Poderes.

Ainda assim, o cenário começou a mudar antes do recesso. Hugo Motta passou a adotar um discurso mais conciliador, após a indicação de um aliado político ao Ministério do Turismo. O gesto foi interpretado como um aceno direto do presidente da República a Hugo e abriu espaço para uma reaproximação entre os dois.

Neste ano, o presidente da Câmara sinalizou alinhamento ao governo ao indicar o avanço da PEC da Segurança Pública e da MP do Vale-Gás, duas prioridades do Executivo. Além de destravar pautas sensíveis para o governo, os movimentos podem ajudar Hugo Motta a buscar uma liderança mais ativa entre os deputados com a oportunidade de construir uma marca para sua gestão.

Nos bastidores, aliados admitem, porém, que a reaproximação também tem objetivos eleitorais: Hugo Motta busca o apoio de Lula para a candidatura de seu pai, o prefeito de Patos (PB), Nabor Wanderley, ao Senado em 2026. A disputa, no entanto, enfrenta resistência do PT no estado, que já declarou apoio ao senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB) e ao ex-governador João Azevêdo (PSB). O presidente Lula ainda não se manifestou publicamente.

Auxiliares do presidente avaliam que Lula tende a preservar a relação com Motta. Mesmo sem uma definição sobre o cenário eleitoral na Paraíba, diante das dificuldades para formar uma maioria sólida na Câmara e conter resistências do centrão, o Planalto vê no presidente da Câmara um aliado estratégico para avançar projetos de interesses do governo e reduzir riscos de embates com o centrão.

Por sua vez, com respaldo de Lula, Hugo Motta amplia espaço político dentro da Casa, mantém a possibilidade de dividir palanque com o presidente em seu reduto eleitoral e costurar sua recondução à presidência da Casa.