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    Tainá Falcão

    Tainá Falcão

    Jornalista, poetisa, mulher nordestina, radicada em Brasília com passagem por SP. Curiosa. Bicho de TV. Informa sobre os bastidores do poder

    Janja reclama que está incomodada, mas quando Lula vai ouvi-la?

    Desabafo público da primeira-dama sobre composição do Supremo Tribunal Federal (STF) revela que aceitou, mas não engoliu as desculpas de Lula

    Janja reclama que está incomodada, mas quando Lula vai ouvi-la?
    Janja reclama que está incomodada, mas quando Lula vai ouvi-la?

    Ao desabafar publicamente sobre o incômodo com a composição do Supremo Tribunal Federal (STF), em que dez dos onze ministros são homens, a primeira-dama, Janja da Silva, revela que aceitou, mas não engoliu as desculpas de Lula.

    Na longa decisão que, posteriormente, levaria Flavio Dino à cadeira de Rosa Weber, a despeito da pressão da militância, do eleitorado, de parlamentares mulheres do PT, de movimentos civis organizados e até propaganda em TV, o presidente jamais sequer deu a entender que se comprometia com a representatividade de gênero.

    Engano de quem pensou o contrário. No entorno do presidente ouviam-se desculpas das mais preguiçosas para a negativa. “Ele não conhece uma mulher com bom currículo e de confiança para a vaga”, dizia, semanas atrás, uma fonte próxima do presidente.

    Lula buscava não só um ministro, mas um amigo para indicar. E, com isso, mulheres estavam em desvantagem.

    Para existir “confiança”, seria preciso uma mulher próxima do presidente, na política, relação que se constrói em jantares e convescotes, nas rodas de conversa, onde homens têm trânsito livre.

    Antes da escolha do Supremo, Lula já havia enfrentado críticas quando cortou do governo três mulheres – duas ministras e uma presidente de banco – para acomodar aliados homens.

    Ao perceber (ou ser avisado) do erro, o presidente terceirizou o desgaste: culpa dos partidos, que não quiseram indicá-las.

    Para dizer a verdade, o presidente nem os cobrou, e a representatividade virou promessa para 2024. Até agora, pouco ou nada se ouve sobre mais espaços para mulheres no governo – trocar um homem para emplacar uma mulher, nem pensar.

    Talvez a saída seja contar com o incômodo de Janja. Verbalizado em alto e bom som, desta vez, Lula não tem como dizer que não ouviu.