Jaques Wagner fez vídeo antes de operação rebatendo acusações sobre Master
PT tenta desvincular escândalo do partido

O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), subiu à tribuna nesta semana para reforçar sua defesa após novas citações ao seu nome nas investigações envolvendo o Master.
Em vídeo divulgado nas redes sociais com um trecho do discurso, Jaques afirmou que não possui qualquer vínculo com irregularidades investigadas e classificou as acusações como infundadas.
A movimentação ocorre em meio à preocupação de integrantes do governo com eventuais desgastes para o governo e à campanha do presidente Lula pelas suspeitas sobre o PT da Bahia. O vídeo foi gravado antes da operação da Polícia Federal desta quinta-feira (18) ue mira a relação de Jaques Wagner com Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro.
Lima teria sido responsável por um programa de crédito consignado no estado, o CredCesta, voltado a servidores estaduais, e teria mantido interlocução com o então governador da Bahia e ex-ministro da Casa Civil Rui Costa e com Jaques Wagner durante o período em que Jaques era secretário do governo baiano.
Essa relação já vinha sendo explorada pela oposição para tentar associar o caso ao núcleo petista baiano. Nos bastidores, dirigentes do partido argumentam que a existência de uma interlocução “institucional” entre Rui Costa, Jacques Wagner ou qualquer outra pessoa com Daniel Vorcaro não configura, por si só, nenhuma irregularidade.
Dirigentes petistas passaram a trabalhar com a chamada “tese do CPF”: a ideia de que eventuais citações nas investigações devem ser tratadas de forma individual, e não como responsabilidade coletiva do partido ou do presidente.
A avaliação interna do PT é de que, caso alguma liderança apareça nas apurações, a defesa deve ser feita de forma pessoal, como fez Jaques na publicação nas redes.
Em resposta, petistas têm reforçado o discurso de que o crescimento do Banco Master ocorreu durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e que a gênese da instituição financeira de Daniel Vorcaro não está na Bahia.
Apesar de o partido afirmar publicamente que não há nada que prejudique Lula diretamente, nos bastidores, há um temor de que o caso Master possa chegar ao Palácio do Planalto por ligações indiretas de nomes próximos a Lula.
À CNN, o senador Jaques Wagner (PT-BA) disse que nunca atuou em favor do Banco Master e que o dinheiro apreendido pela Polícia Federal é fruto de diárias legais, declaradas e não utilizadas em missões internacionais oficiais.
Leia a nota completa abaixo:
"O senador Jaques Wagner (PT-BA) esclarece que não é réu, não foi denunciado e não foi acusado em nenhum processo relacionado aos fatos investigados. O parlamentar acompanha com tranquilidade o andamento das investigações e mantém a confiança na condução delas.
Cabe esclarecer que o apartamento mencionado jamais integrou o patrimônio do parlamentar. O senador também nega atuação em favor do Banco Master ou qualquer outra instituição financeira.
Sobre os valores em espécie apreendidos, a assessoria informa que o montante é fruto de diárias legais, declaradas e não utilizadas em missões internacionais oficiais. Por fim, o senador Jaques Wagner reitera que permanece à inteira disposição das autoridades para prestar quaisquer esclarecimentos, com a certeza de que a verdade prevalecerá".



